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Para não deixar a mulher ficar sozinha no ponto de ônibus logo cedo, um motorista, de 52 anos, tem o hábito de descer de seu prédio, em Itapuã, Vila Velha, e ficar com ela até que o coletivo passe. Mas, na manhã de quarta (13), o casal foi surpreendido pela onda de violência que vem assolando o bairro e o marido foi baleado por um criminoso.
“Chegamos ao ponto e tinha uma vizinha lá. Os dois meliantes vieram de bicicleta e, quando me viram, passaram direto e deram a volta no quarteirão. Depois, voltou um sozinho, sacou a arma e fez os disparos”, disse o motorista, que preferiu não se identificar.
A vítima acredita que os dois criminosos tinham a intenção de abordar a vizinha dele, mas, quando viram o casal chegando, desistiram. “Ele deve ter ficado com ódio que não deu para abordar a minha esposa e a vizinha, então atirou”, afirmou.
Ao todo, foram três disparos. Um deles atingiu a mão direita do motorista, que correu na direção da garagem do prédio, onde pediu ajuda. Ele foi levado de carro, pelo filho, até um hospital particular da região, e recebeu alta horas depois.
Violência
O jornal A Tribuna publicou, no início do mês, uma reportagem abordando a onda de assaltos que atinge Itapuã. O motorista confirmou que, por conta dessa situação, faz questão de levar a mulher ao ponto de ônibus.
““Todos estão vendo que essa onda está demais, e ninguém toma providências. Hoje (ontem) fui vítima de um bandido que fez esses disparos, infelizmente. A gente fica nervoso. Esses bandidos estão rodando por aí, sem policiamento””
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Apesar do susto, ele ficou grato pelo tiro ter sido de raspão. “Agora vamos ficar com mais medo, mas… vida que segue. Não vou poder deixar de trabalhar. Vou continuar fazendo o que faço, para ela não ficar sozinha no ponto”, disse.
A Polícia Militar informou que realiza o policiamento ostensivo no bairro e que o comando da 1ª Companhia do 4° Batalhão, com o intuito de se aproximar da comunidade e aumentar a sensação de segurança, está à disposição da comunidade para traçar estratégias de segurança, conforme as demandas da região.
“Atirou porque ficou com raiva”, diz esposa de vítima
Apavorada depois de ter presenciado um tiroteio, na manhã de ontem, uma biomédica, de 27 anos, acredita que o bandido tenha disparado por raiva.
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A Tribuna – Como aconteceu o crime?
Biomédica – Eu estava no ponto de ônibus sozinha. Minha vizinha veio com o marido e vi os dois bandidos vindo de bicicleta. Eles passaram, deram a volta no quarteirão e voltou um só, ainda olhando muito. Ele tirou a arma do bolso do casaco e deu três disparos.
Ele anunciou o assalto?
Ele não falou nada. Acho que ele atirou porque ficou com raiva de não ter conseguido fazer nada. Eu estava sozinha no ponto. Acho que eles me viram como alvo fácil e ficaram com raiva porque meus vizinhos chegaram.
O que você pensou?
Na hora que ele passou de bicicleta na volta, eu e a vizinha fechamos o olho e aceitamos a ideia de que iríamos tomar um tiro. Se ele fez essa covardia de dar três tiros e atingir o vizinho, por que iria poupar a gente? Mas ele foi embora.
Como será agora?
Amanhã vou pegar um carro de aplicativo. Não adianta meu marido me acompanhar. Eu mesma não vou ficar tranquila. Vou arrumar um jeito de ir para o terminal, mas uma coisa é certa: nesse ponto eu não fico mais. Estamos pedindo o mínimo de segurança.
Moradores criam comissão
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Cansados dos altos índices de criminalidade em Itapuã, Vila Velha, moradores criaram, há sete dias, uma comissão de segurança municipal para a região.
“Ainda estamos criando as pautas iniciais para estruturarmos um plano para ajudar na melhoria da segurança de nossa comunidade”, explicou o representante do grupo, Igor Ribeiro.
Ainda segundo ele, o objetivo é criar um projeto inteligente que viabilize a comunidade a ter a capacidade de ajudar o poder público na implantação de melhorias na área de segurança pública na região.
“O País vive uma crise na área de segurança que é impossível de ser resolvida sem ajuda da população. Faremos novas reuniões, convites às autoridades, para que possamos estar mais estruturados e apresentarmos um projeto para a área.”
Assustado com a situação de Itapuã, um morador colocou um aviso no poste sobre os riscos de assalto no bairro.
O outro lado
Policiamento ostensivo no bairro
A Polícia Militar informou que realiza o policiamento ostensivo no bairro Itapuã, em Vila Velha. O comando da 1ª Companhia do 4° Batalhão informou ainda que, com intuito de se aproximar da comunidade, está à disposição para traçar estratégias de segurança, conforme as demandas da região.
Informou ainda que há um grupo de WhatsApp com policiais da Companhia, moradores e comerciantes do local, abrindo mais um canal de comunicação. Destacou que, em caso de ocorrências, uma viatura deve ser acionada pelo Ciodes (190).