
Segundo ela, o casamento durou 25 anos e, dessa união, nasceram quatro filhos – a mais nova tem 9 anos e foi quem chamou a polícia para proteger a mãe do agressor na prisão anterior a de hoje. Foi nessa ocorrência, no ano passado, que a Justiça concedeu a porteira o botão do pânico.
Em cerca de um ano que recebeu o botão, ela relatou que já precisou utilizá-lo quatro vezes. O último acionamento do botão feito por ela foi na tarde hoje, quando estava em casa, no bairro Nova Palestina, em Vitória.
“Estava em casa lavando roupa, ouvi uma voz chamando minha filha, mas não me atentei que seria ele. Descobri que era meu ex-marido quando meu filho subiu na laje e falou ‘mãe, meu pai está lai chamando minha irmã’”, disse ela.
A porteira contou que pegou o botão e o acionou. “Enquanto aguardava pela Guarda Municipal, ele ficou me xingando e me ofendendo. Disse que estava ali porque tinha direito a casa dele e a que a gente estava fazendo ele sofrer. Ele disse que eu podia chamar a polícia, porque se ele fosse preso, quando ele saísse ele ia me matar”, relembrou ela.
Os agentes da Guarda Municipal de Vitória receberam o acionamento pelo celular e pela central de videomonitoramento. Uma equipe chegou ao local em oito minutos, mas o suspeito fugiu ao perceber que os agentes se aproximavam da casa. Entretanto, acabou preso logo em seguida.
Os agentes relataram que ele estava agressivo e tentou resistir a prisão, sendo necessário o uso da arma de choque para contê-lo. O suspeito foi encaminhado ao Plantão Especializado da Mulher (PEM), em Vitória. A vítima também foi levada ao local para prestar depoimento.
“Ele é super perigoso, ele é covarde, me persegue, me liga de vários números diferentes, não me dá paz. Ele já me perseguiu de madrugada quando eu saía para trabalhar. Não tenho vida própria, não tenho paz. Vivo em um medo constante”, afirmou a porteira.
Ela pediu as mulheres que passam por situação como essa que criem coragem e denunciem seus agressores. “Você tem que lutar por você e esse agressor tem que ficar longe. Isso tem que chegar ao fim. Mulher tem que ser amada, não tem que ser agredida nem xingada. Um relacionamento não vive disso”, frisou ela.