Ainda bastante assustada com a violência sofrida dentro do ônibus, a adolescente, de 13 anos, relatou como foram os momentos de medo vivido por ela. “Vejo na televisão (casos de assédio), mas não imaginava que fosse acontecer comigo”, lamentou a estudante.
Acompanhada da mãe, ela esteve na Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), em Vitória, onde a ocorrência foi registrada e o suspeito de assediá-la foi encaminhado, na manhã desta terça-feira (28). Com autorização e supervisão da mãe, a estudante contou como tudo ocorreu.
A adolescente revelou que estava voltando de um curso de inglês, em um bairro da Serra, e seguia para casa, em Vila Velha – os locais onde ela tem as aulas e onde mora não serão revelados para preservar a identidade da vítima.
Após o término da aula, a adolescente embarcou em um ônibus da linha 597 (André Carloni – Terminal São Torquato) e se sentou próximo ao cobrador. “Estava sentada perto de um cara e ele deu sinal para descer em um ponto. Logo depois, esse suspeito que estava sentado lá trás, veio e sentou do meu lado. Jogou a perna para o meu lado, colocou a mão atrás e começou a fazer gestos”, revelou a estudante.
Segundo ela, um passageiro, que estava sentado na cadeira de trás, percebeu que havia algo de errado no comportamento do suspeito e chamou a adolescente para se sentar com ele na parte de trás do ônibus. A vítima, então, mudou de cadeira. Foi nessa hora que o assédio ficou ainda mais forte. “Ele ficava me olhando. Depois começou a se masturbar e fazer gestos para chamar a minha atenção. Só que eu não virava para o lado dele, virava para a janela”, disse a estudante.

Assim que desceu do ônibus com a adolescente, a cozinheira acionou os seguranças do local. De acordo com ela, o suspeito foi encontrado dentro do banheiro do terminal, sendo algemado pelos seguranças enquanto aguardavam pela chegada da Polícia Militar.
“O cobrador viu tudo, mas não teve iniciativa nenhuma. As pessoas devem denunciar, porque é muita safadeza. Tenho quatro netas e, se fosse uma neta minha, aquele terminal ali ia ser pequeno”, garantiu a cozinheira.
Ônibus cheio não impediu assédio
A cozinheira, de 55 anos, e a adolescente, de 13 anos, relataram que o veículo estava cheio. Mas nem isso foi impedimento para que o criminoso começasse a se masturbar dentro do ônibus. “Todos os assentos estavam ocupados e havia algumas pessoas em pé, na parte de trás do ônibus”, destacou a estudante.
Além da cozinheira e do rapaz que chamou a vítima para se sentar no fundo do ônibus, longe do suspeito, pelo menos mais quatro passageiros deram alguma ajuda à adolescente no momento da violência sofrida por ela.
Uma dessas pessoas emprestou o celular para a vítima ligar para a mãe dela. “Estava na Glória na hora, comprando materiais de trabalho. Meu marido foi me buscar de moto e me levou até lá”, disse a mãe da adolescente.
Até o momento, a ocorrência segue em andamento e o suspeito ainda não foi autuado, segundo a assessoria da Policia Civil.
