- Vitória, ES 22°C

Vitória 22°C

Anúncio
Polícia

“Nasci de novo”, diz fotógrafa que teve carro metralhado na Serra

“Eu nasci de novo!” A declaração, em tom de alívio, é de uma fotógrafa de 53 anos, que foi atingida por um tiro na boca, após ser perseguida por ...

Marca de tiro no carro da fotógrafa. Veículo foi atingido por vários disparos, após ser perseguido por criminosos.

Última atualização

“Eu nasci de novo!” A declaração, em tom de alívio, é de uma fotógrafa de 53 anos, que foi atingida por um tiro na boca, após ser perseguida por bandidos que estão em guerra no bairro Planalto Serrano, na Serra.

O crime ocorreu na manhã de terça-feira (19), no momento em que ela voltava de uma sessão de fotos com alunos de uma creche municipal que fica no mesmo bairro.

A tensão na região tem feito prestadores de serviços, com medo de se tornarem vítimas, abandonarem suas profissões.

A fotógrafa baleada conversou com a reportagem de A Tribuna e disse que passava de carro por uma das ruas de Planalto Serrano, junto com duas amigas, de 40 e 25 anos. Elas seguiam para o próximo trabalho, quando o veículo em que estavam foi perseguido por criminosos de motos e carro, que fizeram vários disparos.

Marca de tiro no carro da fotógrafa. Veículo foi atingido por vários disparos, após ser perseguido por criminosos. (Foto: Beto Morais/AT)

Após o ataque, policiais militares foram acionados e encontraram a vítima ainda dentro de seu carro. Ela foi socorrida e levada ao hospital Jaime dos Santos Neves, no mesmo município.

À tarde, a PM voltou a Planalto Serrano para fazer buscas pelos suspeitos e foi recebida a tiros. Foi solicitado apoio do helicóptero, mas ninguém foi localizado.

Durante a noite, policiais receberam um novo chamado para irem ao bairro. Dessa vez, informando que uma adolescente de 15 anos havia sido baleada. Ela foi levada à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Serra-Sede, recebeu atendimento e foi liberada.

A guerra entre traficantes na região de Planalto Serrano fez com que um motoboy de 32 anos, que não quis se identificar, decidisse abandonar a profissão.

“Eu fui fazer uma entrega de bebidas no bloco B do bairro, quando, do nada, começou um tiroteio entre dois grupos. Eu estava na linha de tiro. Deixei tudo para trás e saí correndo. Minha vida estava em risco naquela hora e naquele lugar.”

Hoje, o rapaz atua como auxiliar de carga e descarga, ganhando bem menos, e garante que não se arrepende de ter largado a profissão de motoboy. “Eu valorizo muito minha vida. Estou bem e não pretendo mais trabalhar como motoboy”.

Segundo a PM e moradores, os tiroteios continuaram na manhã de quarta-feira (20). Pelo menos três facções criminosas agem no bairro, distribuídas entre os blocos, A, B e C.

“Agora, eu preciso me recuperar do trauma”

“Ainda sinto muita dor, mas o fato de estar viva já é o suficiente”, disse a fotógrafa, de 53 anos, que foi baleada na boca, na Serra. Bandidos que disputam o controle do tráfico em Planalto Serrano metralharam o carro da vítima.

A senhora é moradora do bairro?

Não. Eu estava lá a trabalho. Minha vida é trabalhar.

Como o ataque aconteceu?

Eu estava voltando de uma sessão de fotos com crianças que estudam na creche do bairro. Duas amigas minhas também estavam no carro e percebemos que estávamos sendo seguidas por motos e um carro. Em determinado momento, as pessoas que estavam nesses veículos atiraram. Meu carro foi atingido por pelo menos 10 tiros.

Suas amigas se feriram?

Não. A única ferida fui eu.

Já tinha vivido algo parecido?

Não. Eu não bebo, eu não fumo, eu não devo nada a ninguém. Eu nunca nem tinha entrado em uma delegacia para registrar nada, então, viver isso foi horrível.

O que a senhora acha que pode ter acontecido?

Eu não sei. Nunca tive problemas naquele bairro. Fiz alguns trabalhos lá, no início deste ano e, agora, quando eu precisei voltar, aconteceu isso. O que eu posso dizer é que eles (criminosos) realmente seguiram o meu carro. Não sei se o confundiram com o veículo de outra pessoa.

Os vidros estavam fechados?

Não. Os vidros estavam abertos, dava para ver quem estava dentro. Mesmo assim, fomos seguidas e as pessoas atiraram. Os criminosos estavam longe da gente quando fizeram os disparos. Talvez, não tenham visto direito quem estava no carro.

Como a senhora se sente ?

Agora, eu preciso me recuperar do trauma. Ainda sinto muita dor, mas o fato de estar viva já é o suficiente.

Mais Lidas

Ver tudo ›

    Bem-vindo(a) ao
    Tribuna Online!

    Seu bloqueador de anúncios está ativo.

    A publicidade ajuda a manter nosso jornalismo. Libere os anúncios para apoiar o Tribuna Online.

    Obrigado por apoiar o jornalismo local.