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“Nem cachorro merece passar por isso”, diz irmã de morador de rua morto a pancadas

A irmã do morador em situação de rua, que foi espancado até a morte na madrugada desta sexta (19), em Coqueiral de Itaparica, Vila Velha, disse que ...

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A irmã do morador em situação de rua, que foi espancado até a morte na madrugada desta sexta (19), em Coqueiral de Itaparica, Vila Velha, disse que perdoa o autor do crime e espera que ele se arrependa. “Nem um cachorro merece passar por isso, que dirá um ser humano”, lamentou a assistente financeiro Elizangela Rufino Brumana, de 40 anos.

Elizangela contou que Wallace Brumana, de 31, estava nas ruas há cerca de 10 anos. “Ele estar nessa situação não justifica o que fizeram com ele. Meu irmão não teve chance de se defender, isso é o mais triste. Mas não desejo o mal a ninguém. Peço a Deus que conforte a família dele [do autor do crime], que deve estar sofrendo também. Espero que ele se arrependa”, disse.

Ela ficou sabendo do ocorrido através da cunhada, que viu o caso nos noticiários. “Ela me ligou dizendo que estava preocupada porque a vítima tinha características que poderiam ser do meu irmão, então fui lá reconhecer”, relatou. Elizangela, que mora na Serra, foi até o Departamento Médico Legal (DML) de Vitória reconhecer o corpo por volta das 14h desta sexta (19).

De acordo com Elizangela, o irmão foi para as ruas depois que um relacionamento dele, que gerou dois filhos, não deu certo. “Ele sempre estava em um lugar diferente, mas ligava para nós para informar que estava bem”, frisou.

A última vez que eles se falaram foi há duas semanas, por telefone. “Ele me ligou e eu até brinquei, dizendo que iria visitá-lo. Comentei que iria para a festa da Penha, e ele disse que então iria trabalhar lá, para a gente se ver.”

O autor do crime, Paulo Roberto Gratz, de 30 anos, foi autuado por homicídio qualificado por motivo fútil e impossibilidade de resistência da vítima, desacato e resistência, e encaminhado ao Centro de Triagem de Viana (CTV). O porteiro justificou o espancamento dizendo que Wallace tinha furtado o celular dele há uma semana.

Para Elizangela, nada justifica o crime. “Se meu irmão tiver furtado o celular, com certeza foi errado. Mas, porque ele não chamou a polícia quando reconheceu o Wallace? Ele poderia se arrepender e até sair dessa vida na rua, mas não teve chance”, comentou.

Segundo a irmã, o corpo de Wallace só será liberado na próxima segunda (22), pela falta de documentos originais da vítima. Sobre o sepultamento, ela contou que eles estão procurando auxílio para o financiamento. “A gente está sem saber o que fazer. Estamos tentando conseguir alguns contatos, ou até mesmo pedir ajuda ao CRAS. Minha ficha ainda não caiu”, contou.

Nesse momento, ela diz se sustentar na fé. “Humanamente, a gente desejaria o mal e iria querer vingança, mas meus princípios não são esses. Eu peço que Deus perdoe ele [Paulo] por isso. A fé é que me sustenta.”

Outros dois envolvidos no crime foram autuados e vão responder em liberdade. Um deles, amigo de Paulo, 30, vai responder por omissão de socorro qualificado. Outro conduzido, de 31 anos, foi autuado por resistência. A Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) vai investigar o caso.

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