Mesmo com foco nos balneários do Espírito Santo – em 14 cidades do litoral –, durante a Operação Verão, a Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp) não deve deixar de agir contra os bailes funks clandestinos, conhecidos como Mandelas, divulgados nas redes sociais.
Essa é a promessa do secretário Roberto Sá. “A Operação Verão tem como foco a região litorânea, visando a segurança de turistas e moradores. Mas não é porque estamos com foco no verão que vamos ficar desatentos a essas festas”.
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Sá afirmou que existe um trabalho de inteligência feito pelas polícias Civil e Militar, além da própria Sesp, com apoio das guardas municipais, que monitora todas as festas que estão com data marcada para acontecer. “Nós monitoramos tudo, mas com uma atenção especial para aquelas que são provocadas, protagonizadas e têm iniciativa do crime. A gente vai e impede”.
O secretário também disse que, nas festas que têm autorização para serem realizadas, a polícia encontra maior dificuldade para impedir a venda de drogas.
“A polícia monitora, mas tem muito mais dificuldade. Muitas vezes, nem pode impedir aquela manifestação, porque é direito das pessoas se reunirem para comemorar Natal e Ano Novo”, explicou Roberto Sá.
O secretário aproveitou para fazer uma ressalva. “Sabemos que, neste momento de festas de Natal e Ano Novo, existem movimentos e reunião de amigos e familiares em todas as áreas. Das mais ricas até as mais humildes. O que acontece é que, às vezes, o crime se aproveita para estar presente em todas elas”.
O comandante-geral da Polícia Militar do Espírito Santo, coronel Márcio Eugênio Sartório, informou que a maioria das festas clandestinas, que não possuem autorização dos órgão fiscalizadores, atraem bandidos. Não só do bairro, onde ela é realizada, mas também criminosos de facções rivais.
Ele alertou sobre o perigo de frequentar esses eventos e disse que a orientação dada à polícia é evitar invadir essas festas quando elas já tiverem começado, para não colocar inocentes em risco ainda maior.
“São eventos divulgados nas redes sociais que abrangem até 700 mil pessoas. Muitas delas vão atrás de diversão, mas acabam colocando a vida em risco, já que muitos bandidos rivais estarão naquele local. Então, pode acontecer uma troca de tiros de uma hora para a outra”.
Assédio sexual punido em bailes
O “tribunal do crime” também age nos bailes clandestinos da Grande da Vitória. No Morro do Quiabo, por exemplo, no bairro Porto Novo, em Cariacica, é proibido qualquer tipo de assédio a mulheres durante a festa.
Em uma publicação nas redes sociais, traficantes afirmam que a punição vai ser severa.
“Em nome do baile e da tropa que organiza o lazer, nós pedimos desculpas a todas as mulheres pelo acontecido. Isso não irá acontecer novamente no nosso baile”, diz trecho de um comunicado publicado no Facebook sobre uma festa anterior.
Já em outra postagem, um recado para os homens que assediam mulheres: “Não vamos deixar meia dúzia tentar estragar o nosso baile, não! O baile não aceita isso! A mulher falou que não, é não, p… Respeita!”.
A organização ainda ameaça: “Pode ser quem for. O próximo que tentar ‘pagar de doido’ com as mulheres vai ficar de exemplo! Se está achando que isso aqui é bagunça, vai ficar f…”.

