Um lavrador de 34 anos revelou que chegou a pagar R$ 34.300 para um acusado de golpe preso no sábado (12), em Santa Maria de Jetibá, na região Serrana do Espírito Santo. O acusado, um servidor público, prometia curas e milagres em troca de dinheiro.
À reportagem do Tribuna Online, a vítima contou que o acusado cobrou R$ 100 por cada morador da casa, R$ 20 mil para tirar maldição da residência e R$ 10 mil para proteger o filho do lavrador.
“No meu caso, paguei R$ 300 para ele porque são três pessoas na minha casa: eu, minha mulher e meu filho”, detalhou o lavrador, acrescentando que também desembolsou outros R$ 30 mil antes da prisão do acusado.
No dia da prisão, a vítima ainda pagou outros R$ 4 mil, valor encontrado pela polícia com o suposto curandeiro.
O lavrador contou que foi uma funcionária quem indicou os serviços do suspeito. “Uma empregada é quem me falou dele. Ele também fez algum serviço para ela, mas ela acabou também sendo vítima dele”, acrescentou o lavrador.
A vítima afirma que o suspeito passava por mensagens de voz os preços a serem cobrados por cada serviço. “Não fique ouvindo os outros. Se você está com problema, liga pra mim. Estou aqui para ajudar vocês”, diz o homem em um dos áudios recebidos pelo lavrador.
“Vou fazer 50 sessões, que é obrigatório. Esse serviço é uma proteção pra vida dele, só que custa R$ 10 mil”, explica o suspeito em outra mensagem de voz.
Segundo a tenente Rosimere, que participou da prisão do acusado, ele é funcionário da Prefeitura de Laranja da Terra, no Norte do Estado. Para a polícia, o homem contou que atuava fazendo orações há dois anos.
“Ele vendia remédios chamados de ‘Cura Tudo’ e ‘Levanta Cadáver’. Com a divulgação do caso, acreditamos que mais vítimas vão aparecer para denunciar”, afirmou a tenente.
Em nota enviada na manhã de quarta-feira (26), a Prefeitura de Laranja da Terra informou que “inicialmente, cumpre informar que o Município de Laranja da Terra, até o presente momento, não foi notificado sobre à prática de qualquer ato delituoso que envolva servidor público integrante do seu quadro de servidores. Sobre os fatos supostamente por ele praticados, informamos que não dizem respeito ao exercício de suas funções públicas junto à municipalidade, razão pela qual o Município de Laranja da Terra aguardará o desenrolar de eventual investigação e/ou processo judicial instaurados e/ou notificação das autoridades competentes, a partir de quando poderá analisar a existência de possíveis causas de responsabilização administrativa/disciplinar”.
Matéria atualizada às 13h03 de quarta-feira (16).
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