
Segundo o empresário, se não fosse a ajuda dos guardas municipais de Vitória, ele poderia ter perdido a vida.
Ele contou que levava a filha para fazer um simulado da prova para ingresso no Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes), quando se envolveu no acidente com o carro do policial.
Odorico disse que estava nas proximidades do cruzamento da avenida Norte-Sul com a rodovia ES-010, em um Astra de cor preta, quando se deparou com um Prisma branco, que seguia em menor velocidade.
O empresário afirmou que, como não conseguia passar para faixa da direita, por causa de um ônibus, decidiu chamar a atenção do outro motorista piscando o farol.
“Eu coloquei o farol para piscar, pedindo para que ele aumentasse a velocidade. Ele até acelerou, mas freou três vezes para que eu batesse na traseira do carro dele”, disse.
Segundo Odorico, em outro momento o PM chegou a dar passagem, mas, quando o empresário ia fazer a ultrapassagem, o policial fechou seu veículo.
“Quando ele jogou o carro dele contra o meu, nós dois saímos de cada veículo. Ele já veio com uma pistola na mão gritando.”
O empresário disse ainda que repetia ao PM que não era necessário fazer o uso da arma e que tentou acalmar o policial. “Ele já desceu do carro dizendo que resolveria do jeito dele e, então, tudo aconteceu”, disse.
“Foi uma forma de defender quem sempre me defendeu”, diz estudante agredida
A adolescente de 14 anos agredida pelo policial militar com um tapa no rosto na manhã de domingo, na Serra, contou que só saiu do carro para defender seu pai.
O comerciante Odorico Coelho, de 50 anos, se envolveu em uma confusão com o PM após um acidente de trânsito. “Ele é tudo que eu tenho. Desci para defendê-lo”, disse a jovem.
A TRIBUNA – Em que momento você percebeu que a confusão entre seu pai e o PM estava séria?
Adolescente – Quando eu vi o policial armado. Até então, meu pai só tinha descido do carro e, para mim, ele o PM estavam apenas conversando.
O que sentiu quando viu a arma apontada para seu pai?
Eu achei que ele fosse atirar no meu pai. Entrei em desespero. Por isso desci do carro e fui até o policial. Meu pai é a única pessoa que eu tenho na vida. Eu amo meu pai e não aceitaria perdê-lo dessa forma.
Você chegou a provocar o policial?
Eu só pedi para ele não bater mais no meu pai. Não o xinguei, nem nada.
No vídeo, você dá um tapa no peito do PM, por que fez isso?
Porque ele não parou de bater no meu pai. Ele estava machucando muito o meu pai. Foi uma forma de defender quem sempre me defendeu.
Você e seu pai foram levados para a delegacia, como foi isso para você?
Horrível. Eu sou uma estudante, corro atrás dos meus sonhos e nunca fui a um ambiente como aquele. Ainda tive de ficar das 7h30 até as 21 horas sem comer e beber água na delegacia.
Você tem irmãos?
Não. Só moramos eu e meu pai apenas. Não tenho contato com minha mãe.
O que espera daqui para frente?
Eu perdi meu simulado para a prova do Ifes. Estou com o psicológico abalado. Espero que a justiça seja feita de alguma forma. Eu fui prejudicada e meu pai também.
Veja o vídeo da confusão:
Na manhã de segunda-feira (17), o corregedor geral da PM, Alessandro Juffo, afirmou que o caso será analisado em um processo administrativo e todas as testemunhas serão ouvidas. No momento, o policial, que tem 28 anos de serviço à Polícia Militar, não será afastado de suas funções.
“Não concordamos com nenhum tipo de violência praticado por nossos policiais, praticada por qualquer pessoa que seja. Se tiver comprovado qualquer excesso, qualquer desvio por parte do nosso militar, num momento oportuno isso deve receber a devida esse acionamento. Não podemos tirar o contexto desse episódio. É uma adolescente em prática de ato infracional, foi apreendida em flagrante. E o que levou ele a agir dessa maneira somente a investigação nos trará essa resposta. A conduta deles (pai e filha) também foi avaliada pelo delegado de plantão que os apreendeu e autuou em flagrante”, afirmou Juffo.
Em nota, a Polícia Civil informou que os três envolvidos na ocorrência foram encaminhados à 3ª Delegacia Regional da Serra. O homem foi autuado em flagrante por lesão corporal tentada e desacato à autoridade, e foi liberado após pagamento de fiança. Já a adolescente assinou um Boletim de Ocorrência Circunstanciado (BOC) por desacato à autoridade e foi reintegrada à família.
Já o policial militar assinou um Termo Circunstanciado (TC) por abuso de autoridade por atentado contra a incolumidade física dos detidos.