Engana-se quem pensa que o vício em drogas afeta somente quem faz uso dos entorpecentes. O problema atinge toda a família a ponto de pais fazerem empréstimos com amigos e bancos e até venderem imóveis e objetos de valor para evitar que os filhos viciados paguem suas dívidas com a própria vida.
Além disso, uma outra medida vem sendo tomada por familiares para salvar a vida de viciados: o encarceramento compulsório, em que mães e pais prendem o próprio filho dentro de casa para evitar que saiam às ruas em busca de drogas.
“Já vi casos de mães que acorrentam o próprio filho, no desespero, para ele não ir buscar drogas. Mas essa atitude não vai resolver o problema, uma vez que, na primeira oportunidade que tiver, ele vai para a rua atrás dos entorpecentes”, aponta o médico psiquiatra Valber Dias, que atua com dependentes químicos há mais de 15 anos.
Na Vara da Infância e da Juventude, a maioria que relatou suas aflições eram mães e pais cujos filhos adolescentes, para sustentar o vício, cometiam crimes, como furtos e assaltos.
“Furtam até alimentos em casa. Depois partem para assaltos nas ruas ou passam a trabalhar para traficantes. Às vezes, quando os filhos perdem certa quantidade de drogas e são cobrados por isso, muitos pais fazem empréstimos e vendem até eletrodomésticos para pagar a dívida. Na verdade, quem acaba ficando doente são as famílias”, explicou o promotor da Vara da Infância e da Juventude Clóvis Figueira.
A reportagem de A Tribuna teve acesso a histórias de luta, dor e esperança de algumas famílias, que têm o mesmo sonho: ver seus filhos longe das drogas.
Quem vive esse desafio há três anos é uma empresária da Serra, de 39 anos, que pediu para não ser identificada. Além de pagar dívidas com o tráfico, feitas pela filha, de 22 anos, a mãe já pagou até advogados para que ela ficasse presa. “Foi a única forma que encontrei para não vê-la morta”, disse.
Em Cariacica, uma diarista, de 47 anos, chegou a acorrentar o filho, hoje com 25 anos, em casa. O objetivo era salvar a vida do jovem, que estava sob ameaça de morte, após comprar entorpecentes e não pagar.
