
Os abusos sexuais aconteceram na casa do pastor e ocorreram em 2013, quando as vítimas, que são irmãs, tinham 4 e 7 anos.
O nome e o rosto do pastor não estão sendo divulgados para preservar as vítimas, que são parentes dele, conforme prevê o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
O acusado havia sido absolvido em primeira instância, mas o Ministério Público Estadual (MP-ES) recorreu da decisão e obteve a condenação a 24 anos de prisão, na segunda instância, no Tribunal de Justiça do Estado (TJ-ES), em 26 de julho do ano passado.
Contudo, o pastor recorreu da decisão para tentar adiar a prisão, mas o MP-ES e a família das vítimas fizeram petição pela prisão do acusado, usando como precedente a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) para a prisão de condenados em segunda instância.
“Cabe recurso no STF e Superior Tribunal de Justiça (STJ), mas nessas instâncias não se julga o fato, mas a aplicação da lei. No máximo o que ele pode conseguir é uma redução da pena”, disse o advogado da família das vítimas, Bruno Silveira.
Segundo a polícia, o mandado de prisão foi expedido na quarta-feira e chegou aos policiais da SPP, por volta das 15 horas de ontem.
Com o mandado em mãos, os policiais foram ao apartamento onde mora o acusado, mas ele havia saído para levar os filhos para uma escolinha de futebol.
Os policiais aguardaram o pastor voltar para casa e, às 16h30, efetuaram a prisão dele. Detido, ele afirmou ter ciência do mandado de prisão em aberto contra ele.
O líder religioso é réu em mais um processo, no qual é acusado de abusar de outras duas sobrinhas, de 8 anos. O caso ainda está em tramitação na Justiça.
“Cinco anos de espera muito sofrida”
A mãe das vítimas, uma administradora, de 42 anos, acompanhou a chegada do pastor na Superintendência de Polícia Prisional (SPP), na Reta da Penha, em Vitória, e comemorou a prisão dele.
A Tribuna – Qual o sentimento com a prisão do pastor?
Administradora – O sentimento é de vitória, de justiça sendo feita. É uma esperança, até mesmo, que se renova no Judiciário. Foram cinco anos de espera muito sofrida. A sensação é de alívio, de dever cumprido, até mesmo por mim, como mãe de duas vítimas de um crime tão hediondo como esse.
>O que a senhora fez durante esse tempo?
Foram cinco anos de muita espera. De muitas idas e vindas de cartório e fóruns, de muita cobrança, juntamente com minha cunhada. Mas, hoje (ontem) tiro um peso das costas.
>Como ficou a vida de vocês esses anos?
As meninas tinham 4 e 7 anos, quando sofreram essa violência. É um trauma que elas vão ter para o resto da vida, porque não é algo que alguém tire. Elas sofreram e vivenciaram esse momento. Mas essa dor vai se apagar da mente delas, se Deus quiser.
>Elas tiveram que passar por tratamento psicológico?
Elas passaram por tratamento psicológico por quatro anos. Elas tiveram alta, mas é um tratamento que a gente precisa ficar de olho e vigiando. Qualquer comportamento, tem que voltar e avaliar.