
Argemiro Francisco de Souza, de 65 anos e Rodrigo Lemes Souza, de 37, foram presos em flagrante, no bairro Coqueiral de Itaparica, em Vila Velha. De acordo com a Polícia, os dois estavam com os falsos bilheres premiados, anotações de orientações sobre o golpe e R$ 100.
“Este é um golpe antigo e já foi conhecido por diversos nomes. Ele se utiliza da ganância e do interesse da vítima em ganhar algo fácil. Por ser um golpe já muito conhecido, acreditava-se que as pessoas não cairiam mais nele. Porém, os criminosos conseguiram dinamizá-lo”, ressaltou o delegado-geral da Polícia Civil, José Darcy Arruda.
O delegado-geral também pediu para que as vítimas do crime não sintam vergonha e procurem a polícia. “Nós pedimos que venham denunciar o crime. Sua participação é essencial para nossas investigações e para que os envolvidos nessa prática paguem pelo que cometeram”, alertou.
Responsável pela Defa, a delegada Rhaiana Bremenkamp explicou que Argemiro é do Mato Grosso e Rodrigo é de Goiás. “Os dois possuem passagem em vários estados pelos crimes de estelionato, roubo, furto, extorsão, falsificação de documento e associação criminosa. Eles foram presos após uma tentativa frustrada de aplicar um golpe”, disse.
A delegada informou ainda que os dois estavam sendo monitorados desde o dia 11 de janeiro, quando uma senhora de 67 anos perdeu R$85 mil.
“Ontem, acompanhamos uma tentativa de golpe. Conversamos com uma idosa que teria sido vítima deles, mas acabou desistindo de continuar as negociações. Logo depois, nós seguimos o carro dos detidos até Vila Velha, onde ele foi parado e eles foram presos em flagrante com todo o material usado no crime”, explicou Rhaiana.
Argemiro e Rodrigo foram encaminhados ao Centro de Triagem de Viana (CTV) e vão ser indiciados por estelionato tentado e associação criminosa.
O golpe
Rhaiana Bremenkamp explicou que os golpistas são rápidos e desaparecem logo após aplicar o golpe. “Eles costumam ser de outros estados e só vêm para cá com intuito de praticar o crime, ficando no máximo dois dias aqui. Os detidos afirmam que esse delito é praticado em todo país e que eles nunca retornam a um estado com o mesmo carro”, contou.
A delegada também afirmou que os alvos preferenciais do crime são idosos e, principalmente, mulheres. “Eles costumam abordar pessoas com mais de 60 anos pela rua, geralmente, próximo a farmácias e outros estabelecimentos comerciais. Os estelionatários também optam por bairros nobres, como Praia do Canto, em Vitória, e Praia da Costa, em Vila Velha”, acrescentou Bremenkamp.
A responsável pela Defa explicou que eles costumam agir em três, um primeiro suspeito que surge com o bilhete premiado, outro que aparece para dar apoio na mentira e um terceiro que atua como olheiro. “Geralmente o estelionatário aborda o idoso na rua pedindo informação e acaba dizendo que tem um bilhete de loteria. Nesse momento surge o outro envolvido que confirma a história do primeiro. Juntos, os dois suspeitos instigam a vítima a participar do golpe”, afirmou.
A delegada contou que os suspeitos prometem dividir com a vítima parte do prêmio. “Eles a levam até um banco, onde a convencem de sacar e entregar tudo que tem. O terceiro olheiro age sempre a distância, observando se a vítima está desconfiando ou se alguém do banco está chamando a polícia”, explicou Bremenkamp.