
Segundo juristas, não haveria possibilidade de progressão da pena, ou seja, sem deixar a prisão antes de cumprir os 30 anos máximos que a legislação brasileira determina. Para a Polícia Civil, o pastor violentou, agrediu e assassinou o filho Joaquim, de 3 anos, e o enteado, Kauã, de 6 – crimes tipificados como hediondos.
Preso desde 28 de abril, George está sendo indiciado por duplo homicídio triplamente qualificado e duplo estupro de vulnerável.
“As somas das penas máximas é de 126 anos”, afirmou, em coletiva de imprensa, o delegado de Linhares Romel Pio de Abreu Júnior, após confirmar os crimes e agravantes que irão compor o relatório que será enviado à Justiça.
Quem concorda é a advogada Karina Pontini: “Eu calculei as penas previstas e o resultado é, no mínimo, de 120 anos. É possível conseguir progressão por 2/5 da pena, que seriam 45 anos. Mas, no nosso País temos pena de até 30 anos”.
O fato de ter ateado fogo, por motivo fútil, e de ter sido cometido por um meio que dificultava a reação das crianças pode agravar a pena. Pesa ainda contra o pastor o fato de ser pai e padrasto das vítimas, ou seja, ambos estavam sob sua guarda, além de terem menos de 14 anos.
“As qualificadoras (atos que agravam o delito) podem, sim, impactar nos anos de prisão. Ter adulterado a cena das mortes, por exemplo, pode levar a uma pena mais grave, caso condenado”, explicou o advogado Christiano Menegatti.
Já o advogado criminal Flávio Fabiano pondera: “O fato de ser um crime de comoção pública não impacta na sentença. Mas o Estado tem de dar uma resposta imediata”.
O pastor tem passagem pela polícia por porte ilegal de arma, há cinco anos. Mas isso pode ou não influenciar no caso.
“Tem de saber quando a denúncia foi apresentada e se houve efetivamente condenação do réu. Isso porque pode ocorrer suspensão condicional da pena, quando a pessoa doa cestas básicas ou presta serviços à comunidade, por exemplo”, explicou Menegatti.
Mesmo que George Alves chegue a confessar o crime em algum momento, se condenado, isso “só iria servir para reduzir seis meses da pena”, explicou Flávio Fabiano.
Leia a reportagem completa sobre o tema no Jornal A Tribuna desta quinta-feira (24).