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Polícia

“Percebi que ele estava excitado”, diz paciente que acusa médico de assédio

A denúncia de uma jovem de 18 anos, que afirma ter sido agarrada e beijada no rosto, sem o seu consentimento, por um médico durante a consulta em um ...

Última atualização

A denúncia de uma jovem de 18 anos, que afirma ter sido agarrada e beijada no rosto, sem o seu consentimento, por um médico durante a consulta em um hospital particular em Vila Velha, no último sábado, fez com que outras duas vítimas tomassem coragem para denunciar o mesmo médico.

De acordo com a delegada e chefe da Divisão Especializada de Atendimento à Mulher, Cláudia Dematté, os novos casos já estão sob investigação da Polícia Civil.

Uma das vítimas, que preferiu não se identificar, tem 40 anos e deu detalhes sobre o assédio em entrevista exclusiva ao Jornal A Tribuna. O assédio aconteceu durante uma consulta realizada em 2015. Ela contou que buscou atendimento em um hospital de Vila Velha ao sentir dor no tórax.

“Ele mandou eu ficar de quatro para que pudesse me examinar, mas ele encostou bem em mim e percebi que ele estava excitado. Depois pediu para eu ficar de pé, tirar a blusa e começou a massagear os meus seios”, relatou.

Apenas quando saiu do hospital que a vítima se deu conta que teria sofrido um assédio. “Quando eu saí do consultório que a minha ficha caiu e eu comecei a chorar. Pensei que aquilo não era certo”.

O médico acusado, de 54 anos, chegou a ser preso no Centro de Triagem de Viana, onde passou pela audiência de custódia e foi liberado, no último domingo. O caso segue no Tribunal de Justiça.

Veja a entrevista da paciente

A Tribuna – Como aconteceu?
Paciente – Eu cheguei muito preocupada no consultório, falei que meu coração estava batendo muito rápido, aí ele abriu a camisa dele, colocou a minha dentro e disse: “olha só, o meu coração também está batendo forte e eu não estou infartando”.

O que médico fez depois?
Ele pediu que eu fosse até a maca e ficasse de quatro para ser examinada, mas ele encostou bem em mim e percebi que ele estava excitado. Em seguida ele pediu para eu ficar de pé, tirar a blusa e começou a massagear os meus seios.

Você desconfiou que se tratava de um assédio?
Eu achei estranho, mas pensei que fosse um procedimento da consulta. Quando eu saí do consultório que a minha ficha caiu e eu comecei a chorar. Eu pensei que aquilo não estava certo e liguei para uma amiga para contar o que tinha acontecido.

Você estava sozinha durante a consulta?
Não, a minha filha estava comigo. Ela tinha 9 anos. Ele (médico) deu uma folha para ela desenhar na mesa dele. Dessa forma ela ficava de costas para a cama.

Por que você não fez a denúncia antes?
Não tive coragem de fazer isso na época, porque eu me sentia sozinha, agora tomei coragem. Eu estava com um quadro de depressão e ele poderia alegar isso contra mim. Quando aquela amiga que eu tinha desabafado sobre o abuso me procurou falando que ele tinha sido preso, eu resolvi denunciar.

Como você se sente?
Já doeu muito, mas agora estou melhor. No entanto, estou muito triste porque já são três vítimas

O que espera agora?
Não desejo vingança, mas eu quero justiça. Ele tem que pagar pelo mal que me fez.

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