A Polícia Militar concluiu o inquérito relacionado ao caso de um Sargento da PM, que agrediu uma adolescente de 14 anos na Serra, há três meses. A investigação constatou a existência de crime comum e transgressão à disciplina, por parte do oficial.
O inquérito será encaminhado à Justiça e, paralelamente, será instaurado um procedimento administrativo, que vai apurar a conduta do sargento, que já está afastado das ruas.
Esta resposta não agradou o pai da adolescente agredida, envolvido na discussão com o policial. “O que eles precisam apurar mais? Temos imagens gravadas por um passageiro no ônibus. Foi uma colisão intencional. Foi uma tentativa de homicídio”, questionou o empresário de 50 anos.
“Acho vexatório, vergonhoso. O Estado deveria proteger o cidadão. Não vejo outra possibilidade senão a exoneração dele. Um flagrante desrespeito ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e à constituição. Mãe e pai não podem bater na cara de filhos e o Estado vai bater?”, continuou.
O Caso
O policial teria dado um tapa no rosto da adolescente após uma discussão envolvendo o agente e o pai dela, após uma discussão de trânsito na Avenida Norte Sul, na Serra.
A agressão foi registrada, em vídeo, por passageiros que estavam dentro de um ônibus que passava pelo local. De acordo com testemunhas, o carro onde estava a adolescente e o homem, um Astra de cor preta, colidiu com o do PM, um Prisma branco, que seria do policial.
A colisão gerou uma série de discussões e, em determinado momento, depois de ser empurrado pela jovem, o policial, que estava fardado, revidou e deu um tapa no rosto da garota.
À época do acontecimento, o corregedor geral da PM, Alessandro Juffo, afirmou que o caso seria analisado em um processo administrativo e todas as testemunhas seriam ouvidas. Naquele momento, o policial, que tem 28 anos de serviço à Polícia Militar, não seria afastado de suas funções.
“Não concordamos com nenhum tipo de violência praticado por nossos policiais, praticada por qualquer pessoa que seja. Se tiver comprovado qualquer excesso, qualquer desvio por parte do nosso militar, num momento oportuno isso deve receber a devida esse acionamento. Não podemos tirar o contexto desse episódio. É uma adolescente em prática de ato infracional, foi apreendida em flagrante. E o que levou ele a agir dessa maneira somente a investigação nos trará essa resposta. A conduta deles (pai e filha) também foi avaliada pelo delegado de plantão que os apreendeu e autuou em flagrante”, afirmou Juffo.
Em nota, a Polícia Civil informou que os três envolvidos na ocorrência foram encaminhados à 3ª Delegacia Regional da Serra. O homem foi autuado em flagrante por lesão corporal tentada e desacato à autoridade, e foi liberado após pagamento de fiança. Já a adolescente assinou um Boletim de Ocorrência Circunstanciado (BOC) por desacato à autoridade e foi reintegrada à família.
Já o policial militar assinou um Termo Circunstanciado (TC) por abuso de autoridade por atentado contra a incolumidade física dos detidos.