Onze pessoas foram presas, durante a operação Aegir, deflagrada nesta quarta-feira (10) pela Polícia Federal. Uma organização criminosa responsável pela “contaminação” de contêineres a bordo de navios de carga, no Porto do Rio, para o envio de cocaína para a Europa, foi desmantelada.
A ação, que contou com apoio da Capitania Dos Portos, da Aeronáutica e da Receita Federal do Brasil, teve como objetivo combater o tráfico internacional de drogas com foco no transporte marítimo. Ao todo, foram expedidos 18 mandados de prisão temporária e 22 mandados de busca e apreensão nos estados do Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte e Paraíba. Das onze pessoas presas nesta quarta, nove delas são do Rio de Janeiro. Cerca de 200 policiais federais participam da ação.
Quatro homens foram presos em flagrante, nesta madrugada, enquanto tentavam infiltrar sete mochilas com 78 kg de cocaína pura em contêineres em um navio. De acordo com a polícia, dois eram estivadores e outros dois eram funcionários da MultiRio, concessionária que administra o Porto do Rio. A empresa tem colaborado com a investigação, de acordo com o delegado da Polícia Federal André Santana.
O carregamento de drogas apreendido nesta madrugada seria enviado para o porto de Antuérpia, na Bélgica. Em todo o país, este ano, a Polícia Federal já apreendeu 57 toneladas de drogas, sendo cerca de 25 toneladas em portos ou navios. Desde o início da investigação, há cerca de um ano, foram apreendidos 2,3 toneladas de drogas.
‘Contaminação’ de contênieres
De acordo com a Polícia Federal, o método com que a organização criminosa operava o tráfico internacional de drogas é o chamado “Rip-load (rip on) / Rip-off”, “içamento” ou “pescaria” que consiste, basicamente, em levar a carga de drogas para dentro de navios ancorados nos portos com a ajuda de uma pequena embarcação que se aproxima do seu bordo externo (voltado para o mar, e por isso fora visão dos funcionários em terra).
“Eles carregavam embarcações pequenas, navegavam pela Baía de Guanabara, se posicionavam a bordo do navio e faziam o içamento com a participação de estivadores. Os contêineres eram escolhidos previamente para serem contaminados”, explica o delegado.
De acordo com a polícia, os remetentes e destinatários da mercadoria lícita que estava nos contêineres não tinham conhecimento da atividade de tráfico. “Não temos nenhum indicativo de que as partes envolvidas na negociação comercial lícita tinham conhecimento sobre isso”.
O nome da operação Aegir remete à mitologia nórdica. Aegir era o deus dos mares e oceanos. Ele era ao mesmo tempo cultuado e temido pelos marinheiros, pois estes acreditavam que ele aparecia na superfície para tomar homens e cargas e levá-los para seu salão no fundo do oceano.
