A placa de um carro suspeito de levar criminosos envolvidos no assassinato da vereadora carioca Marielle Franco (PSOL) foi identificada pela polícia do Rio de Janeiro. De acordo com os investigadores, imagens de câmeras de segurança da região da Lapa registraram dois homens parados dentro de um veículo por duas horas nas cercanias da Casa das Pretas, na rua dos Inválidos.
O local foi o último em que a vereadora passou antes de ser morta com quatro tiros na cabeça na noite de quarta-feira (14). Segundo as imagens, os suspeitos falavam no celular e seguiram o carro de Marielle após o debate no sobrado da Lapa. A placa mostra que o carro é de Nova Iguaçu, município da Baixada Fluminense.
A polícia tenta identificar os interlocutores da dupla nas conversas telefônicas, e dados das operadoras estão sendo coletados. A polícia trabalha agora com a hipótese de que mais de um carro participou da ação que terminou com a morte da vereadora. Seriam ao menos três veículos.
De acordo com investigadores, nas cenas flagradas por câmeras na Lapa é possível ver que os carros chegaram a trocar sinais de farol durante a movimentação de saída da parlamentar do debate. Minutos mais tarde, Marielle, 38, e o motorista Anderson Pedro Gomes, 39, foram mortos no Estácio, zona norte do Rio, cerca de 4 km adiante.
Uma assessora da vereadora que estava no carro sobreviveu. Nada foi roubado. A vereadora foi morta quando um outro carro emparelhou com o seu e disparou 13 tiros. Inicialmente, achava-se que nove tiros foram disparados, com base nas capsulas encontradas no local do crime. A investigação mostrou que outros quatro tiros disparados não atingiram o carro.
Marielle estava em um carro de vidro escuro, no banco de trás, do lado direito do veículo, onde se concentraram a maior parte dos disparos. Por causa da dinâmica usada pelos criminosos na morte, a principal hipótese dos investigadores é de um crime premeditado.
Desde o mês passado, a Segurança Pública do Rio está sob o comando do Exército. No mês passado, a vereadora foi nomeada relatora da comissão que acompanhará a intervenção federal na Câmara Municipal. Marielle era contra a ação do governo federal. No dia 10, ela publicou um texto em suas redes sociais denunciando abusos do 41º batalhão da PM contra moradores da favela de Acari.
Socióloga formada pela PUC-Rio e mestra em Administração Pública pela Universidade Federal Fluminense (UFF), Marielle obteve 46.502 votos na última eleição.
Assaltos são frequentes na região em que Marielle foi morta. O vereador Renato Cinco (PSOL) foi roubado na madrugada de quinta (15). Ao voltar para casa após um ato em homenagem à companheira de partido, Renato teve o carro cercado por ladrões na esquina das ruas Joaquim Palhares e João Paulo I, no Estácio.
A esquina fica distante cerca de 400 metros do local do assassinato da vereadora. Na ação, a chave do carro quebrou e os ladrões levaram apenas celulares e objetos pessoais. O roubo aconteceu cinco horas depois da morte de Marielle.
