
O agente chegou a ser encaminhado por uma unidade de resgate dos bombeiros até o hospital Santa Marcelina, onde acabou morrendo.
O motivo para a discussão teria sido o preço das bebidas do local, segundo afirmado em depoimento à polícia pelo dono do estabelecimento, um comerciante de 30 anos. A defesa dele, que foi indiciado e preso, não havia sido localizada até a publicação desta reportagem.
Testemunhas informaram aos policiais militares que o agente Renato Rewai Paraná e Silva havia se desentendido com o dono da adega de bebidas, teria sacado sua pistola calibre 9 milímetros e apontado em direção à face do comerciante.
Em uma das versões dadas à polícia, o comerciante afirmou que um cliente havia sacado a arma e atirado contra a vítima durante a discussão. Depois, o comerciante afirmou que ele mesmo havia feito os disparos e, em seguida, novamente voltou atrás em seu relato.
“Minutos depois, [o suspeito] se desdisse, alegando que havia confessado [atirar] ‘por nervoso, do momento’. Ato continuo, [o comerciante] reafirmou que havia sido seu freguês que havia pegado a arma e atirado na vítima, para defendê-lo, declinando então as características físicas do tal freguês”, diz trecho de boletim de ocorrência.
Segundo o relato, o freguês mencionado pelo comerciante teria pego o revólver, de numeração raspada, atrás do balcão de atendimento e atirado ao menos cinco vezes pelas costas do policial federal, que caiu no chão. O suposto atirador já foi identificado, segundo a polícia, mas não havia sido preso até a publicação desta reportagem.
O agente, segundo a Polícia Civil, chegou à adega acompanhado de um homem, ainda não identificado. Após os disparos, esse homem teria manobrado a viatura descaracterizada usada pela vítima e a deixado na rua. O agente teria ido à adega para comprar vodca e cerveja, segundo registrado pelo DHPP (Departamento de Homicídio e de Proteção à Pessoa).
Com a chegada de investigadores do DHPP, o comerciante afirmou que a arma usada no crime lhe pertencia, juntamente com as munições encontradas dentro de uma sacola, sobre o fogão do estabelecimento.
O revólver calibre 38, porém, não estava na adega quando os policiais civis chegaram. A arma foi levada ao estabelecimento após o comerciante preso acionar um motoboy, que trouxe o armamento, que havia sido abandonado na praça conhecida como Ilha da Queimada, a cerca de um quilômetro de distância do local do crime, logo após o assassinato.
Sem imagens
O DHPP constatou também que as imagens feitas pelo sistema de monitoramento com câmeras do local haviam sido retiradas do sistema e estavam com o mesmo motoboy que trouxe a arma. Ele estava com as imagens à pedido do chefe, segundo relatou à polícia. Não foram dadas mais informações sobre o motociclista.
Os registros foram recuperados e auxiliaram a polícia a determinar a prisão do comerciante que, de acordo com a polícia, teria ajudado o atirador a ter acesso ao revólver.
O comerciante foi preso em flagrante e indiciado por homicídio qualificado (motivo torpe), fraude processual (por ter tentado sumir com imagens) e porte ilegal de arma de fogo.
Foram apreendidas 21 munições calibre 38, o revólver usado no crime, com numeração raspada, além da pistola do agente da PF, que, segundo a polícia, não deu nenhum tiro.
Resposta
A Superintendência da PF em São Paulo afirmou acompanhar “de perto” as investigação sobre as circunstâncias da morte de seu agente.
A instituição não informou, porém, há quanto tempo o policial atuava na PF, em qual delegacia trabalhava e se apura o fato de a vítima ter ido à adega usando viatura descaracterizada da corporação.