Visando aumentar a capacidade de identificação de criminosos e assim solucionar pelo menos 3.500 crimes que estão pendentes, o Estado vai usar um programa da Polícia Federal que dará acesso a policiais civis a todo o Banco de Dados Nacional com comparação de digitais feitas por meio biométrico.
A conquista se deve a um convênio assinado pela Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp), na quarta-feira (10), durante uma reunião do Programa Estado Presente em Defesa da Vida, em Vitória.
Participaram da assinatura do convênio o governador Renato Casagrande; o secretário de Estado de Planejamento, Álvaro Duboc; o Delegado-Geral da Polícia Civil, José Arruda; o diretor do Instituto Nacional de Identificação da Polícia Federal, Brasílio Caldeira Brant; o superintendente da Polícia Federal no Espírito Santo, o delegado Jairo Souza; e o secretário de Estado da Segurança Pública, Roberto Sá.
O acordo de cooperação técnica retoma o trabalho que foi realizado de 2009 a 2014, quando o termo foi finalizado oficialmente e a Polícia Civil passou a usar o Sistema Automatizado de Identificação por Impressões Digitais (Afis), por cessão da Polícia Federal, até 2017.
Segundo o Superintendente da Polícia Técnico-Científica Renato Koscky Júnior, o Afis possibilita pesquisar as imagens das impressões digitais de criminosos de todo o País. Ele explicou que cada imagem que a máquina dispõe é verificada por peritos, que serão os únicos a terem acesso ao sistema.
“Por meio desse sistema, vamos conseguir desvendar a autoria de alguns crimes. Quando a gente alimenta o sistema com alguma digital encontrada em algum local de crime, logo, ele informará se ela já existe no banco de dados e com isso podemos fazer comparações. Claro que o perito criminal vai analisar e checar a autoria”.
Para Koscky, com o fim da cooperação, houve prejuízo na elucidação dos crimes. “Temos 3.500 casos a serem analisados. O prejuízo de termos ficado sem esse convênio é gigantesco. Essa é a ferramenta mais rápida e barata da identificação de um criminoso e, com certeza, vai nos ajudar na resolução desses inquéritos”, disse.
O secretário Roberto Sá destacou a importância do acordo: “Vai proporcionar mais estrutura à Polícia Civil”.
Identificação de autores de roubos
A volta do Sistema Automatizado de Identificação por Impressões Digitais (Afis), também vai ajudar os peritos da Polícia Civil a identificar os possíveis autores de roubo, furto e invasão a comércios e residências em todo o Estado. A informação é do superintendente da Polícia-Técnico Científica, Renato Koscky Júnior.
Koscky informou que o convênio foi firmado devido ao aumento desse tipo de crime.
“Os registros de casos que envolvem os crimes contra o patrimônio, são altos. Esses crimes deixam digitais e esse sistema vai contribui em 100% na identificação dos suspeitos”, disse.
A reportagem procurou a Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp) para saber a quantidade de crimes contra o patrimônio, na tarde de ontem. Em nota a Sesp respondeu que “em finais de semana não há expediente administrativo para a coleta dos dados solicitados.”
Koscky informou que, devido ao período em que a polícia ficou sem acesso ao sistema, pelo menos 3 mil boletins de identificação de criminosos precisam ser inseridos no banco de dados. “A última vez que usamos a ferramenta, foi ainda em 2017, por meio de um ‘empréstimo’ (da Polícia Federal). De lá, para cá, não tivemos mais acesso e a demanda foi aumentando”.
O prazo para que o acesso à ferramenta estará liberado para os peritos, segundo o superintendente, é de até 60 dias.
Sistema criado pela Polícia Civil
O superintendente da Polícia Técnico-Científica Renato Koscky Júnior informou que um outro sistema, que fará uso de câmera OCR (Reconhecimento Óptico de Caracteres) para detectar a face de suspeitos, está em fase de desenvolvimento pelos peritos da Polícia Civil capixaba.
“É um sistema Afis (Sistema Automatizado de Identificação por Impressões Digitais), que contará com uma multibiometria. Além da impressão digital, o nosso projeto contará com um sistema mais moderno que envolve íris, face, olhos”, informou.
Koscky contou que o projeto já se encontra em fase de ajustes finais e que falta apenas o governo do Estado decidir quais empresas serão parceiras, já que trata-se de uma Parceria Público-Privada.
“O que falta é o governo firmar os convênios com as empresas participantes, mas continuamos muito esperançosos que o governo faça a aquisição o sistema próprio”, disse.
O sistema Afis também servirá para aumentar a eficácia do Estado na redução de homicídios.
De janeiro a junho deste ano, foram registrados 498 assassinatos, uma redução de 18,2%, em relação ao período em 2018, quando foram registrados 609 casos.
