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POLÍCIA

Quadrilha dá golpes em caixas eletrônicos e idosa perde 10 mil

Quadrilha aplica golpe em caixas eletrônicos de bancos de Jardim da Penha e Praia do Canto em dias de pouco movimento

Aposentada vítima de golpe mostra papel que os bandidos lhe entregaram como se fosse comunicado do banco

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Uma aposentada de 84 anos foi vítima de um golpe em uma agência bancária de Jardim da Penha, Vitória, na manhã de ontem. A idosa foi abordada por dois indivíduos que se passaram por clientes e perdeu cerca de R$ 10 mil, descontados entre a função crédito e o saldo da conta.

Segundo a vítima, que preferiu não ser identificada, ela chegou ao banco por volta de 10h para retirar um extrato bancário no caixa eletrônico. Foi quando dois homens se aproximaram e disseram que o sistema estava fora do ar.  

Para que o problema fosse resolvido, entregaram para a vítima um papel similar ao da própria agência, que trazia instruções para que a idosa atualizasse seus dados no caixa. Caso contrário, uma  taxa de R$ 49,90 poderia ser aplicada.

“Quando eu recebi o papel, fiz o procedimento. Em algum momento eles devem ter visto os dados que eu estava digitando”, explicou.

Após realizar o processo, os indivíduos conseguiram pegar o cartão da idosa sem que ela percebesse e trocaram por outro. Depois de conseguir o extrato, ela saiu da agência sem desconfiar de nada.

Ao chegar em casa, notou que o celular estava tocando e que chegavam notificações comunicando gastos no cartão a todo momento. Foram feitas compras de R$ 5.700 na função crédito e os bandidos conseguiram sacar R$ 4.500.

“Só percebi quando cheguei em casa e minha neta comunicou sobre as notificações. Fiquei muito desesperada. Liguei para o banco e orientaram que eu fizesse um boletim de ocorrência”.

Antes de registrar o BO, a aposentada se dirigiu a outra agência, desta vez na Praia do Canto, para retirar outro extrato e saber se havia mais prejuízo. 

“Quando cheguei na segunda agência, um senhor estava com o mesmo papel que me deram, que comunicava o valor da taxa. Nesse caso, ele conseguiu perceber e não caiu no golpe”, afirmou.

Ainda segundo a aposentada, vendedores da região comunicaram que perceberam que esse golpe vem sendo aplicado há algum tempo, inclusive já reconheceram os indivíduos e informaram que a quadrilha age sempre da mesma maneira: duas pessoas abordam a vítima dentro do terminal de autoatendimento e, enquanto uma distrai, outra aplica o golpe. 

Os bandidos preferem abordar idosos em dias de menor movimento, como fim de semana e feriado, e  uma terceira pessoa espera dentro de um carro para dar a fuga.

“Achei que estavam me ajudando”, aposentada vítima de golpe

A TRIBUNA: Em algum momento a senhora percebeu que havia algo de estranho no comportamento dos homens?
Aposentada: De jeito nenhum! Acredito que de alguma forma eles filmaram o momento que digitei meus dados no caixa bancário e conseguiram as informações. Achei que eles estavam me ajudando.

Eles foram agressivos com a senhora?
Aposentada: Não. Estavam calmos, vestiam roupas normais. Era um senhor e o outro era mais jovem. Lembro que um deles era bastante alto e estava com toda paciência do mundo.

Como a senhora se sentiu depois de perceber que havia caído em um golpe?
Aposentada: Fiquei muito nervosa e triste. Percebi só quando cheguei em casa. Sempre fui uma pessoa muito calma, porém fiquei muito revoltada porque perdi o dinheiro que eu usaria para pagar todas minhas contas, como meu plano de saúde, energia elétrica.

O que o banco e a polícia orientaram para que a senhora fizesse a partir de agora?
Aposentada: Eu registrei o boletim de ocorrência na Polícia Civil e  irei ao banco para ver o que pode ser resolvido. Espero que pelo menos as compras realizadas na função crédito do cartão sejam canceladas, já que liguei rapidamente para o banco e bloqueei minha conta-corrente.

A senhora acredita que outras pessoas podem cair nesse golpe?
Aposentada: Com certeza. Eles usaram um papel idêntico ao do banco, com nenhum erro ortográfico. Foi muito convincente. Espero que a polícia possa investigar e que os responsáveis sejam punidos.

Golpistas de outros estados

De acordo com o titular da  Delegacia de Defraudações e Falsificações (Defa), Douglas Vieira, geralmente os  criminosos que praticam golpes na porta de bancos e roubam altas quantias não são do Estado. 

 













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“Eles vêm, aplicam golpes durante o dia e no final do dia já embarcam em um avião e vão embora. A chance de conseguir a identidade deles fica muito difícil. Então, o melhor caminho é a prevenção”, contou o delegado.

Ainda segundo Douglas Vieira, o caso que aconteceu com a idosa de 84 anos não chega a ser um crime de estelionato, mas consiste em um  furto mediante fraude, cuja pena é de dois a oito anos.

“No estelionato, a vítima entrega os valores induzidos a erro. No furto não, ela é distraída para que os falsários subtraiam os valores da sua  conta, que é exatamente o caso da ocorrência citada. Lamentavelmente esses criminosos por anos aplicam esse tipo de golpe. Eles ficam no entorno das agências, percebem algum idoso ou alguma pessoa que tem dificuldade no manuseio do cartão e dificuldade em acessar o caixa eletrônico”.

A vítima registrou o boletim de ocorrência na Delegacia Regional de Vitória, na tarde de ontem, e  o caso segue sob investigação. Até o fechamento desta edição ninguém havia sido preso. 

ENTENDA

Banco deve garantir segurança

 O que fazer?

– É dever do banco garantir a segurança necessária aos seus clientes nos caixas eletrônicos e dentro de suas dependências. 

– A instituição financeira não pode ser omissa no seu dever de vigilância e segurança em suas agências.

– A vítima pode procurar a gerência da instituição financeira, informar o ocorrido e solicitar a devolução dos valores retirados de sua conta pelos golpistas. 

Em caso de recusa do banco em devolver a quantia, cabe à vítima procurar um advogado de sua confiança e ingressar com uma ação judicial.

Golpe bancário

O golpe foi realizado em uma agência bancária localizada na avenida Dante Michelini, na altura de Jardim da Penha, em Vitória.

A vítima teve prejuízo total de R$ 10.200. Os bandidos conseguiram comprar  R$ 5.700 em produtos na função crédito e, além disso, sacaram R$ 4.500. 

Abordagem

A aposentada foi abordada por dois indivíduos . Um deles era um senhor alto e o outro era mais jovem. 

Os dois distraíram a senhora  e conseguiram trocar o cartão dela por um falso, após conseguirem registrar os dados dela.

No mesmo dia, a aposentada soube de outro caso de tentativa de golpe, desta vez na agência do mesmo banco, na Praia do Canto. 

Um senhor havia acabado de receber o papel similar ao ofertado pelos golpistas, que instruía que a vítima alterasse os dados ou uma suposta taxa de R$ 49,90 seria aplicada. 

Fonte: Vítimas e Nicolle Dutra, advogada.

OPINIÕES

“O cartão é intransferível, jamais o entregue a uma pessoa estranha. Evite  aceitar ajuda em agências bancárias”, Eduardo Pinheiro, especialista em crimes virtuais.

“A vítima pode procurar a instituição e solicitar a devolução dos valores retirados de sua conta pelos golpistas”, Nicolle Dutra, advogada

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