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Quadrilha vende dinheiro falso até para fora do Estado

É pelas redes sociais que criminosos do Estado estão ampliando um negócio que fez acender o alerta na Polícia Federal e que tem provocado, cada vez ...

Jovem segura notas verdadeiras e falsas misturadas: casal comprou pela internet e disse que se arrependeu, não vai usar o dinheiro e vai queimar as notas

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Jovem segura notas verdadeiras e falsas misturadas: casal comprou pela internet e disse que se arrependeu, não vai usar o dinheiro e vai queimar as notas (Foto: Hemerson Costa)

É pelas redes sociais que criminosos do Estado estão ampliando um negócio que fez acender o alerta na Polícia Federal e que tem provocado, cada vez mais, prejuízos ao comércio e clientes: a venda de dinheiro falso.

A ousadia dos criminosos é tanta que eles usam contas bancárias para receber o valor de encomendas feitas até em estados como Bahia, Minas Gerais e Distrito Federal. Após prisões de envolvidos com esse tipo de crime no Estado, no início deste mês, a reportagem de A Tribuna procurou saber como funciona o esquema. E foi em grupos de WhatsApp e nas redes sociais que as ofertas surgiram.

Um lote com R$ 1.500 em cédulas falsas custa cerca de R$ 200. Já um pacote de R$ 7.000 falsificados sai por R$ 500. O pagamento é feito em contas correntes e poupanças de bancos públicos em nome de uma terceira pessoa. O depósito deve ser adiantado e a entrega é realizada por um motoboy em local movimentado, como shoppings.

Durante a negociação com um dos falsários, via WhatsApp, que afirmou morar na Praia do Canto, em Vitória, vídeos com relatos de quem comprou as notas e fotos dos depósitos foram repassados pelo criminoso.

Bandidos de outros grupos, afirmam que as “fábricas” ficam em Vila Velha, Serra e Cariacica.
“Segue o vídeo do tio de São Roque (cliente). Pensa num ‘véi’ (idoso) chato. Pelo menos, ele gostou das notas”, disse o falsificador, alegando a satisfação de seus clientes.

Para o chefe da Delegacia de Repressão a Crimes Fazendários da Polícia Federal, delegado Leonardo Rabello Feyo, a prática é incomum. “Não é comum o criminoso mostrar o depósito em conta. Mas é uma forma que pode ficar estabelecida na negociação”.

A reportagem teve contato com um casal que comprou as notas falsas em um grupo de WhatsApp.
“A gente comprou, mas, depois, bateu o arrependimento e o desespero de ser preso por isso. O dinheiro ficou aqui e a gente vai queimar”, disse a jovem de 22 anos, que aceitou falar sem se identificar.

Entretanto, para a polícia, quem fabrica, compra ou entrega notas falas comete crime. “Saber quem anuncia, vende e produz é do nosso interesse, para realizar a prisão. Se o motoboy está ciente, é partícipe”, disse Rabello.

A equipe de reportagem não realizou a compra por entender que se trata de um crime. As provas serão levadas à Polícia Federal para a devida apuração.

Confira como é feita a negociação

O primeiro contato feito com vendedor de notas falsas pelo WhatsApp, após encontrar anúncio no Facebook.

Depois: Falsário manda imagens e vídeos de compradores de fora do Estado. Comprovantes de depósitos bancários até do Distrito Federal foram enviados.

Golpe aplicado até em criminosos

Apesar de existir a venda real de notas falsas, comprovada pela Polícia Federal, há golpistas que  (Foto: Jornal A Tribuna)praticam um crime dentro do outro crime: estelionato. A promessa de entrega de falsificações é feita, o depósito realizado e o produto não chega.

Em um dos grupos de venda no WhatsApp, criminosos da Serra afirmam que foram enganados por um vendedor de dinheiro falso.

“Esse é o mesmo que me deu o golpe. Tira ele do grupo”, reclama um dos integrantes “lesado”.
Até ameaças de morte foram feitas contra o vendedor de notas: “Eu não vou te matar de tiro não, vou matar é de paulada!”, afirma outro participante. Em mais uma ameaça, outro bandido sentencia: “Vai ficar sem a cabeça!”

Segundo a Polícia Federal, responsável por investigar a falsificação de dinheiro, nesse caso, não há crime de cédula falsa e sim de estelionato. Mas ele pode nem ser confirmado, uma vez que o comprador também está em conduta criminosa, pois busca notas falsas.

O crescimento das redes sociais promove maior alcance da propaganda do dinheiro falso, mas a negociação é feita via WhatsApp, segundo a Polícia Federal, que garante que há meios de rastrear os vendedores. Esses criminosos muitas vezes estão associados com contrabando e tráfico e, no geral, têm entre 30 e 50 anos, de acordo com a polícia.

Empresas dizem que fazem fiscalização

As empresas responsáveis pelas redes sociais e sites de negociações na internet afirmam que trabalham dentro da legalidade. O Facebook, que também é dono do WhatsApp, disse, por nota, que “proíbe o uso da rede para facilitar ou organizar atividades criminosas”.
“Agradecemos ao jornal A Tribuna por ter nos alertado sobre este assunto. Os conteúdos em questão já foram removidos”, afirma a nota.

O Mercado Livre informou que a venda de produtos que violem a legislação vigente é expressamente proibida e que permanece à disposição das autoridades.
Já a OLX disse que a venda de notas falsas vai contra as regras da empresa e que também está à disposição das autoridades.

Polícia Federal investiga denúncias

São Paulo, Minas Gerais e Goiás estão entre os estados que mais abastecem o comércio de dinheiro falso no Espírito Santo, de acordo com o chefe da Delegacia de Repressão a Crimes Fazendários da Polícia Federal, delegado Leonardo Rabello Feyo.

“Mesmo assim, a fabricação de cédulas falsas no Espírito Santo não está descartada. Estamos realizando levantamentos”, contou. O delegado explicou que uma das portas de entrada de notas falsas são os Correios. “Goiânia, Goiás, é um dos locais que envia. Governador Valadares, em Minas Gerais, nos preocupa muito, pois é um celeiro de falsificação de documentos e também de fabricação de cédulas falsas”.

Ele contou que os Correios flagraram encomenda vinda de São Paulo para a Serra com R$ 2.400 falsos em janeiro deste ano. Um jovem foi preso em flagrante. “Ele falou que entrou em contato (com o vendedor) via WhatsApp, comprou as notas por R$ 400 e iria vendê-las para outros aqui no Estado”.

O delegado acrescentou: “A pena para quem fabrica e comercializa dinheiro falsificado é alta, de 3 a 12 anos de prisão”. Quem recebe uma nota falsa sem saber e, após tomar conhecimento da falsificação, repassa pode ser punido com detenção de seis meses a dois anos e multa.

Mas, como saber se a nota é falsa?

Quatro passos para saber se nota são verdadeiras

  • FAIXA HOLOGRÁFICA: ao movimentar a nota, aparecem o número “50” e a palavra “reais”. A figura da onça fica colorida.
  • QUEBRA-CABEÇA: abaixo de onde está escrito “República Federativa do Brasil” existe um quadrado, chamado de quebra-cabeça. Quando a nota é colocada contra a luz, é possível ver o valor dela. Todas as notas têm esse recurso.

  • MARCA-D’ÁGUA : ao segurar a nota contra a luz, é possível ver, na área clara, a figura de uma onça e o valor da nota. Isso acontece em todas as cédulas.
  • FIO DE SEGURANÇA: colocando a nota contra a luz, um fio escuro fica visível próximo ao meio da cédula. Nele, está escrito o valor da nota. Esse efeito ocorre nas notas de R$ 10, R$ 20, R$ 50 e R$ 100. Passando a mão em alguns pontos da nota é possível sentir um alto-relevo, como nas palavras “República Federativa do Brasil”.

Fonte: Banco Central

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