Usando várias artimanhas para ganhar dinheiro fácil, criminosos estão de olho até em endividados no Estado. Um levantamento revela que pelo menos 4.700 empresas e pessoas físicas estão na mira do chamado “Golpe do Cartório”.
O número refere-se à quantidade de títulos abertos em cartórios de protesto, totalizando pendências que ultrapassam R$ 10 milhões, segundo dados do Instituto de Estudos de Protesto de Títulos do Brasil, Seção Espírito Santo.
Mas a titular da Delegacia Especializada em Crimes de Defraudações e Falsificações (Defa), delegada Rhaiana Bremenkamp, disse que a quantidade é bem maior. “Além desses 4.700 alvos, eles tentam enganar até quem não corre o risco de ter o título protestado.”
No golpe tradicional, um criminoso, se passando por funcionário de cartório, liga para a vítima e diz que ela tem uma dívida prestes a ser protestada. Quando isso acontece, a pessoa fica com restrições ao crédito. Por exemplo, não consegue empréstimo, renovar cheque especial, fazer financiamentos e o nome ainda é negativado.
Não se sabe ao certo como eles têm acesso aos dados dos devedores, mas uma das formas é consultando os nomes em editais que cartórios de protesto publicam geralmente em seus sites e também em jornais, com CPF e CNPJ. De posse desses dados, eles saem em busca de contatos telefônicos e recorrem, inclusive, às redes sociais.
Bruno do Valle Couto Teixeira, oficial substituto do Cartório de 1º Ofício da 2ª Zona da Serra, explicou que, por telefone, o golpista força a vítima a depositar determinado valor em conta bancária até o fim do dia ou em até 24 horas.
“O estelionatário ainda ameaça, dizendo que, se isso não for feito, há risco de processo criminal ou de pedir falência da empresa.”
Sem saber que do outro lado da linha há um golpista, a pessoa faz o depósito e, posteriormente, liga para o cartório informando que a pendência foi resolvida. É nessa hora que ela descobre a farsa.
Bruno alertou que funcionários de cartórios não fazem esse tipo de solicitação por telefone. “Vamos ao endereço entregar o documento.”
Ele orientou que quem tiver dúvidas deve entrar em contato com os cartórios. No site do Conselho Nacional de Justiça, no endereço www.cnj.jus.br/corregedoria/justica_aberta, é possível fazer uma pesquisa de todos os cartórios. Para consultar, basta clicar em “produtividades” e “localização de serventias extrajudiciais”.
Outra opção para saber se existe alguma pendência é baixar o aplicativo Consulta Protestos Dívidas e informar o CPF ou CNPJ.