Dois assaltantes armados fingiram ser passageiros e renderam um motorista de aplicativo, de 36 anos. A vítima foi amarrada, amordaçada e jogada em um matagal pelos criminosos.
Aumir Alves de Oliveira Júnior e Lucas Alves Souza, ambos de 24 anos, foram presos duas horas após o crime, depois que o carro roubado foi localizado pela Polícia Militar graças a um rastreador.

Segundo a vítima, o destino dos falsos passageiros era o bairro Alzira Ramos, em Cariacica. Porém, durante o trajeto, os três bandidos anunciaram o assalto. Lucas, que estava sentando atrás do motorista, teria encostado uma arma na cabeça da vítima. Já Aumir colocou um canivete na cintura do motorista e o mandaram parar o carro.
Um dos suspeitos ordenou que a vítima se sentasse no banco traseiro e assumiu a direção do veículo. A vítima foi obrigada a entregar dinheiro e o celular para os assaltantes. Além disso, ele teve que desbloquear o aparelho.
Os criminosos disseram para a vítima que, se o veículo desligasse por causa de algum rastreador, eles iriam matá-lo. Nesse momento, os suspeitos colocaram o celular no modo avião e continuaram trafegando. A vítima relatou que permaneceu com a cabeça abaixada durante o percurso.
Dez minutos depois, os criminosos pararam na Estrada do Tanque e amarraram as mãos e os pés do motorista. Ele foi levado para um matagal, a cerca de 20 metros de onde o carro estava. Lá, os bandidos arrancaram e rasgaram a camisa que a vítima usava, e o amordaçaram.
Depois, os três criminosos fugiram, levando a carteira, o carro e o celular do motorista. A vítima conseguiu soltar os pés e pediu ajuda em uma casa na região.
A PM foi acionada e uma radiopatrulha foi até o local. O carro então passou a ser acompanhado pelo rastreador. Aumir e Lucas foram presos no bairro Zumbi dos Palmares, Vila Velha. O cúmplice deles não foi encontrado.
Os dois criminosos foram autuados por roubo e associação criminosa e encaminhados ao presídio.
“Minha vida para eles não é nada” – motorista, 36 anos
O motorista de aplicativo, 36 anos, que foi amarrado e amordaçado durante um assalto em Cariacica na terça-feira à noite, falou sobre os momentos de tensão que viveu e sobre o trauma. “Tive que tomar remédio para dormir.”
A Tribuna – Como tudo começou?
Motorista – Eu atendi uma solicitação pelo aplicativo no Terminal de Campo Grande. Chegando lá, entraram três pessoas, sentido Alzira Ramos. Chegando lá, ele me mandou parar o carro em uma rua deserta.
A Tribuna – Como anunciaram o roubo?
Motorista – Um dos que estavam atrás colocou a pistola na minha cabeça. O outro colocou a faca na minha cintura e falou: ‘se você quiser viver, faz tudo o que a gente mandar.’ E me amarraram com uma atadura.
A Tribuna – Amarraram só suas mãos?
Motorista – Até esse momento, sim. Em um local deserto em Alzira Ramos, me levaram com as mãos amarradas até o alto de um morro e me colocaram de cócoras e amarraram minhas mãos aos tornozelos e me amordaçaram com minha camisa.
A Tribuna – Como conseguiu se soltar?
Motorista – Quando saíram, fui me mexendo até conseguir soltar os pés. Encontrei a casa de uma família, eles cortaram a amarração das minhas mãos, os meus dedos estavam todos roxos. Aí liguei para a polícia.
A Tribuna – Como você se sentiu?
Motorista – A minha vida para eles não é nada. Então eu me sinto muito revoltado. Tive que tomar remédio para dormir, por causa da adrenalina. Mas me sinto aliviado agora. E muito agradecido a essa família que me prestou aquele socorro. Estou grato a Deus por essa chance.

