Depois de ser ameaçado e obrigado a ficar no porta-malas do próprio carro, um motorista de aplicativo conseguiu escapar e precisou pular o muro de uma casa para fugir dos criminosos. Ele foi sequestrado por três assaltantes que fingiram ser passageiros, em uma corrida na noite de terça-feira, em Cariacica.

A vítima relatou que tinha pegado os três passageiros em um bairro de Cariacica, com destino à Vila Rica. “Em determinado momento, o bandido de trás apontou a arma para ele, falou que era um assalto e queria que ele parasse o veículo e fosse para o porta-malas”, revelou o agente Mike Oliveira, da Guarda Municipal de Viana.
O trio assumiu a direção do Renault Kwid branco e mudou a rota para Viana. Desesperado, o motorista começou a tentar abrir o porta-malas. Quando os criminosos reduziram a velocidade para passar por um quebra-molas, ele conseguiu abrir o porta-malas e saiu correndo.
“Os três continuaram indo atrás dele com o carro, aqui na região de Vila Bethania. Nesse momento, ele pulou o muro de uma casa e se escondeu”, completou Oliveira.
A casa era do aposentado Pedro Bernardo Simmer, de 72 anos. Ele estava assistindo à televisão quando foi surpreendido. “Escutei aquele barulho de pedido de socorro e vi o cara correndo para o fundo do quintal e ele falou que tinha sido assaltado”.
O motorista pulou por cima de um galinheiro, quebrando a telha, e ficou escondido em um canto do quintal. Vizinhos acharam que poderiam ser algum criminoso tentando assaltar as casas, mas depois descobriram que se tratava de uma vítima.
“A gente fica receoso, né? Fiquei olhando pela janela e só saí de casa depois que os guardas chegaram. A gente ficou com dó dele, ele estava desesperado”, lembrou Pedro.
Os agentes da Guarda colocaram a vítima na viatura e fizeram uma varredura pelas redondezas. Depois, conseguiram rastrear o veículo, no bairro São Geraldo, em Cariacica. O carro, que tinha sido abandonado pelos bandidos, foi recuperado e a vítima foi encaminhada para a delegacia.
Motoristas com síndrome do pânico, diz associação
O aumento de crimes contra motoristas de aplicativo durante a pandemia provocou medo entre os profissionais e fez com que muitos desistissem da profissão.
“A gente tem motoristas que desenvolveram síndrome de pânico, que não queriam entrar dentro do carro, porque teve arma apontada para a cabeça. Algumas mulheres desistiram de trabalhar com medo da violência. O medo se tornou constante”, afirmou o presidente da Associação dos Motoristas de Aplicativos do Espírito Santo (Amapes), Luiz Fernando Muller.
Ainda segundo Luiz Fernando, com os comércios fechados e muitos em casa, os criminosos passaram a direcionar os ataques aos profissionais que estavam nas ruas. Com isso, trouxe prejuízo e perigo muito grandes para os motoristas de aplicativo.
Luiz ainda aconselha que motoristas evitem regiões de risco, principalmente à noite. Além disso, se for de madrugada, devem passar próximo ao local antes de parar e verificar se o passageiro é o mesmo da foto. Orienta ainda a não aceitar corridas pedidas por mulheres, mas na hora de embarcar é um homem; sempre andar com portas travadas e nunca aceitar corridas particulares para estranhos.
“A gente também pede aos passageiros que nunca chamem uma corrida para terceiros que sejam estranhos”, ressaltou.