Choro dos réus e de familiares das vítimas e protestos com pedidos por justiça marcaram o dia de ontem na audiência de instrução e julgamento da tragédia que chocou o Estado com a morte dos irmãos Joaquim Alves Sales, de 3 anos, e Kauã Sales Butkovsky, 6, há seis meses.
Frente a frente pela primeira vez desde quando foram presos, os ex-pastores Georgeval Alves Gonçalves, conhecido como George, e Juliana Sales choraram dentro do Fórum de Linhares, segundo a advogada de defesa, Milena Freire.
Do lado de fora, familiares de Kauã mesclavam momentos de revolta e emoção ao lembrar das crianças mortas no dia 21 de abril.
Na audiência desta terça-feira (23), que começou às 9h30 e terminou por volta das 18h20, no Fórum Desembargador Mendes Wanderley, no bairro Três Barras, foram ouvidas 16 testemunhas, entre bombeiros, delegado, policiais civis, peritos e os pais de Juliana Sales.
O sargento Paulo Roberto, que comandou a equipe do Corpo de Bombeiros que entrou na residência das crianças no dia 21 de abril para conter as chamas, foi um dos que prestou depoimento, por cerca de 50 minutos. “O juiz quis saber como a equipe atuou para combater o incêndio, se viu algo anormal, mas não tem nada de novo”.
Como o processo está em segredo de Justiça, a pedido do Ministério Público Estadual, a audiência não foi aberta ao público. Familiares das vítimas e pessoas que se uniram ao grupo pedindo que os réus sejam condenados acompanhavam tudo do lado de fora, assim como a imprensa.
Os ânimos dos familiares ficaram exaltados quando George, fortemente escoltado, foi levado até o banheiro. Separados do réu por uma grade do fórum, eles, aos gritos, o chamavam de monstro.
Às 13h20, houve uma pausa para almoço e o casal foi levado a uma cela. Nesse momento, familiares das vítimas que estavam do lado de fora viram a ex-pastora pela primeira vez. Aos gritos, eles diziam que ela e Georgeval vão pagar pela crueldade com as crianças na esfera criminal e perante a justiça divina.
A reportagem apurou que Georgeval se recusou a comer o marmitex que lhe foi oferecido e permaneceu sentado no chão, cabisbaixo. Já Juliana, mesmo chorando, se alimentou. Os ex-pastores retornaram para a sala de audiência por volta das 14 horas e, ao final dos procedimentos, foram levados de volta para os presídios.
Veja a reportagem completa no Jornal A Tribuna desta quarta-feira (24).
