
A Grande Vitória registra a maior parte dessas ocorrências, sendo 3.031. Vinte mulheres denunciam violência doméstica por dia na Região Metropolitana. Os dados são da Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (Sesp).
De acordo com a delegada Michele Meira, da Gerência de Proteção à Mulher (GPM) da Sesp, os números podem ser maiores do que os registrados, pois muitas mulheres não denunciam os seus agressores por medo.
“Os dados mostram que não houve um aumento em relação a 2020, mas não significa que houve diminuição da violência. A violência contra a mulher ainda é enraizada na nossa sociedade e pode ter havido uma subnotificação nesse período”, explicou a delegada.
Os dados não correspondem somente a agressões físicas, mas a outros tipos de violência, como psicológica, patrimonial, sexual e moral.
Ainda segundo a delegada, muitas mulheres desistem de denunciar por temer a vida ou terem uma dependência emocional ou financeira com o agressor.
“Além do medo, é preciso entender que o autor do delito não é uma pessoa que passou na rua e nunca mais a vítima vai ver. Às vezes é uma pessoa que tem contato diário. A mulher se vê no ciclo de violência emocional, psicológica, patrimonial”, comentou.
Medo
Uma designer de unhas, de 27 anos, afirma ser mais uma vítima dessa violência na Grande Vitória. Na tarde de domingo, ela foi agredida pelo ex-namorado, de 33 anos, na porta de casa, em Cariacica.
“Nós tivemos uma discussão porque ele estava levando nosso filho para lugares com aglomeração. Ele me empurrou contra o portão e me deu um soco no queixo”, relatou a vítima.
O acusado fugiu após as agressões e a vítima registrou a ocorrência em uma delegacia. Por não haver flagrante, ele não foi preso.
“O sentimento é de medo, medo de qualquer coisa que ele possa fazer. Ele nunca levantou a mão para mim. Foi uma surpresa”, acrescentou a designer.