O senador Marcos do Val (Cidadania) divulgou nesta terça-feira (06), em suas redes sociais, um vídeo em que dialoga com Kleber Cabral, presidente do Sindicato dos Auditores Fiscais da Receita. O tema da conversa foi o afastamento dos auditores Wilson Nelson da Silva e Luciano Francisco Castro, por terem supostamente vazado informações sobre investigações secretas de autoridades.
Durante o vídeo, ambos os participantes demonstram solidariedade aos dois auditores afastados pelo ministro Alexandre de Moraes, que alegou fortes indícios de violação de sigilo funcional e improbidade administrativa.
O ministro também suspendeu as investigações secretas sobre as autoridades. Sabe-se que os ministros Gilmar Mendes, Dias Toffoli e suas mulheres eram alvo da operação.
Os dois auditores negam o cometimento de qualquer crime e também o vazamento indevido de quaisquer informações. Segundo eles, o responsável pelos vazamentos teria sido uma terceira fonte, ainda não identificada.
“O que houve foi que quando aconteceu o vazamento contra Gilmar Mendes, foi aberto um processo administrativo que se prolongou até recentemente. Em relação aos vazamentos, ficou comprovado que não havia participação deles. O ministro precisava de nomes, então colocou os dois auditores como responsáveis”, relatou o senador Marcos do Val.
A investigação em torno dos dois ministros era realizada por parte do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que não tem relação com a Lava a Jato.
O processo investigava cerca de 800 mil funcionários públicos por sonegação e também pessoas consideradas polticamente expostas, parentes de primeiro e segundo graus. Os ministros passaram a ser alvo de investigação, por terem receita bruta superior a R$ 10 milhões.
“Foram feitos alguns filtros e chegaram a 133 pessoas, dentre elas, os ministros e suas esposas. Quando a investigação, de fato, iria começar, o ministro Alexandre de Moraes interferiu interrompendo a investigação”, contou.
Carta
Quase 200 auditores fiscais fizeram uma carta aberta em defesa dos capixabas e da fiscalização dos ministros pelo Coaf. De acordo com eles, Wilson e Luciano contam com o apoio de toda a Receita Federal.
“Todos estão indignados com esta retaliação. Desta vez, a impunidade vai vencer, pois quando se mexe com pessoas poderosas, os auditores pagam o preço”, finalizou o senador. Os auditores continuam afastados até o final do inquérito, que pode durar até cinco anos.