
Disse que a decisão não é definitiva, mas que a partir de 1º de fevereiro vai se dedicar à iniciativa privada, sem dar detalhes, podendo até se desfiliar do atual partido.
A Tribuna – O senhor fez um investimento alto na campanha, trouxe marqueteiro de fora… Ficou surpreso com a derrota?
Ricardo Ferraço – Tenho por hábito e característica sempre ter um profundo respeito pela decisão da população, que é sagrada. A população decidiu não renovar meu mandato ao Senado. Sou e sempre serei muito grato aos capixabas por me darem a oportunidade honrosa de ser senador e minha gratidão é eterna. Foi uma decisão que entendi, compreendi e acima de tudo respeitei. A voz do povo é a voz de Deus.
O que acha que deu errado?
Acho que a população olhou a foto do parlamento brasileiro e revelou toda sua indignação. De fato, a foto é muito ruim. Há uma profunda crise em todos os sentidos e a população votou para punir aqueles que exerciam mandato nesse período. Ainda que eu estivesse à frente dos mais diversos temas que interessavam o capixaba.
Acha que por ter sido relator da reforma trabalhista, e de outros temas polêmicos, pesou?
Meu mandato foi reformista, relatei no Senado o fim do monopólio da Petrobras, a PEC do Teto dos Gastos, a reforma trabalhista.
Sempre entendi que era fundamental ter austeridade no gasto público. São reformas que contrariaram movimentos corporativistas, sobretudo os que se apropriaram do Estado brasileiro.
E essas corporações fizeram oposição cega, se valeram de falsas verdades para ludibriar o povo. O PT e os sindicatos fizeram uma campanha contra minha candidatura falando que eu retirei direitos dos trabalhadores. No fundo, a mágoa é que acabou com a contribuição sindical obrigatória.
Ter colado sua imagem à de Magno Malta te atrapalhou?
Isso é muito mais mito do que realidade. Quando Magno fez a convenção do partido dele, declarou que pediria voto pra ele e pra mim, e o que fiz foi retribuir a gentileza. Não fizemos campanha juntos. Nunca houve isso! Acho que a população votou pela mudança, por ter um parlamento diferente, de tirar quem está lá. Mas, agora é uma página virada.
Sente que foi injustiçado?
Não. Só tenho gratidão.
Casagrande abriu as portas do governo, mas o senhor declinou. O que foi oferecido?
Minha relação com o governador eleito Casagrande é robusta e consistente. Nós nos aproximamos, somos aliados e amigos e fiquei muito honrado com o convite para integrar a sua equipe, mas não vou detalhar. Ele está formando uma grande equipe, e seria uma alegria e uma honra participar. Mas, qual o recado que os capixabas me deram? Para eu dar um tempo na vida pública e política. Então, declinei do convite. Vou ingressar na iniciativa privada.
É uma aposentadoria das urnas? Não vai mais disputar?
Não. O futuro a Deus pertence.
O que pretende fazer a partir de fevereiro?
Em fevereiro, voltamos a falar. Agora, estou com foco no mandato. Sobre minha atividade privada, vou falar só mais na frente.
Pretende participar das eleições de 2020 ou 2022?
Não tenho nada planejado com relação a isso. Não tenho nenhum projeto nessa direção.
Continua no PSDB?
Vou cumprir meu mandato. Depois, vou decidir.
Mesmo de fora, pretende participar do debate político?
Não, estou me afastando. Não tem como ingressar na vida privada e ficar com um pé na política. Estou virando a página.
Está parecendo um caminho sem volta…
No momento, o que vou fazer é isso. Não descarto retornar e nem deixar a política definitivamente.
Qual sua expectativa com relação ao governo Bolsonaro?
Muito positiva. Acho que a orientação econômica liderada por Paulo Guedes vai na direção certa.