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Política

Governo Trump dará visto a Flávio Bolsonaro após fuga do Brasil

Senador viajou aos EUA após ordem de Alexandre de Moraes para entregar passaportes e é alvo de inquéritos por corrupção e lavagem de dinheiro.

Foto de arquivo de 7 de Setembro de 2026 mostra o senador e então candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), durante ato na avenida paulista, em São Paulo. Flávio afirmou em vídeo, nesta segunda-feira, 26 de outubro, que não sairia do País e que entregaria o passaporte à Polícia Federal, seguindo a intimação que recebeu na manhã daquele dia. Nesta terça-feira, 27, o político fugiu do Brasil para os Estados Unidos, afirmam amigos da família.

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  • Senador Flávio Bolsonaro (PL‑RJ) fugiu do Brasil para os EUA na terça‑feira, 27 de outubro, após intimação da Polícia Federal.
  • O governo dos EUA, liderado por Donald Trump, confirmou que concederá vistos ao senador e sua família.
  • A informação foi confirmada por uma autoridade da Casa Branca à Folha de S.Paulo.
  • Flávio chegou aos EUA por volta das 16h20, acompanhado da esposa Fernanda e das duas filhas.

O governo Donald Trump está ciente da ida de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos e vai conceder vistos ao senador do PL e sua família, autorizando sua permanência no país.

A informação foi confirmada por uma autoridade da Casa Branca à Folha de S.Paulo.

Mais cedo, aliados da família Bolsonaro afirmavam que os EUA concederiam asilo ao senador.

Duas pessoas ligadas ao clã disseram que Flávio chegou aos EUA nesta terça-feira (27) por volta das 16h20. Ele teria viajado com a mulher, Fernanda, e as duas filhas.

Segundo um americano ligado ao governo Trump e uma pessoa próxima de Flávio que acompanhou a movimentação do senador, a operação para tirá-lo do Brasil teve participação ativa do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio.

O empresário Paulo Generoso, que mora em Dallas e é amigo da família Bolsonaro, publicou um post no Instagram agradecendo Rubio pelo “apoio ao patriota Flávio Bolsonaro. Chupa Xandão”.

Ainda de acordo com um aliado, o senador não teria saído pela Argentina, que foi a primeira hipótese aventada por autoridades brasileiras pela manhã.

Flávio deixou o Brasil dois dias após perder a eleição presidencial para Lula (PT).

No começo do dia, pessoas próximas a Flávio diziam desconhecer o paradeiro do senador e ironizaram a possibilidade de uma fuga para os Estados Unidos. “Só se ele estiver louco” ou “está vindo de foguete do Elon Musk” foram algumas das respostas.

Mais cedo, o blogueiro bolsonarista Allan dos Santos falou sobre a fuga. Ele afirmou que não tinha detalhes, mas disse que o senador “tem o dever de proteger” sua esposa e filhas. “Então eu espero, sim, que ele tenha saído do país. Eu não tenho nenhuma informação com certeza, mas eu espero que o Flávio possa ter saído do Brasil.”

Outro a comentar a fuga foi o deputado federal Nikolas Ferreira (PL). “Se um candidato a presidente que recebe 60 milhões de votos precisa (supostamente) sair do país, que segurança tem um cidadão comum que se opõe ao atual regime?”, escreveu nas redes sociais.

A decisão de ir aos EUA teria sido tomada na segunda (26), após o ministro do STF Alexandre de Moraes mandar recolher os passaportes brasileiro e italiano do senador, que tem cidadania do país europeu.

A Polícia Federal cancelou o documento brasileiro de Flávio após o senador não cumprir a decisão judicial. Mas a identidade italiana segue válida. A PF emitiu um alerta para vigiar as fronteiras, mas pode ter sido tarde.

Investigações contra Flávio Bolsonaro

Flávio é investigado em duas ações criminais, sob suspeita de corrupção no âmbito do caso do Banco Master e dos desvios no INSS.

Caso fosse eleito, Flávio teria uma imunidade temporária durante o mandato —presidentes não podem ser processados criminalmente por fatos anteriores ao mandato e que não tenham relação com o cargo.

Além disso, perderá o foro especial, ao ver terminar o seu mandato como senador, em fevereiro. É a primeira vez, desde a sua primeira eleição para deputado estadual, em 2002, que ele ficará sem cargo eletivo.

O primeiro inquérito do qual Flávio é alvo trata do pedido de dinheiro a Daniel Vorcaro, do Banco Master, sob a justificativa de financiar o filme “Dark Horse”, sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Assim como Vorcaro, o senador é investigado sob suspeita de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. O candidato derrotado negou qualquer irregularidade e disse que o filme só tem recursos privados.

Como mostrou o site The Intercept Brasil, Flávio negociou diretamente com Daniel Vorcaro o repasse de pelo menos US$ 24 milhões (hoje, aproximadamente R$ 122,7 milhões) para a produção do longa.

Outra investigação trata das relações de Flávio com o advogado Willer Tomaz, amigo do candidato derrotado. É apurada suspeita de lavagem de dinheiro.

Willer teve o celular apreendido na Operação Sem Desconto, que trata de fraudes relacionadas ao INSS, e a análise do conteúdo do aparelho revelou movimentações financeiras suspeitas.

Foi nesse inquérito que Moraes determinou, nesta segunda, a apreensão dos passaportes de Flávio. Também proibiu o contato do senador com Willer.

O fluxo sob investigação inclui plataformas de bets, holdings no exterior e outras empresas vinculadas –formalmente ou com sócios de fachada– ao advogado. A Polícia Federal afirma ter encontrado “diversos elementos que evidenciam uma relação de proximidade entre Willer e Flávio Bolsonaro”.



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