O operador Marcos Valério Fernandes relatou, em acordo de colaboração premiada, que a Andrade Gutierrez teria pago R$ 5 milhões, em 2005, aos advogados das empresas de publicidade mineiras investigadas no processo do mensalão, das quais ele era sócio.
Segundo Valério, foi Paulo Okamotto, então presidente do Sebrae e braço-direito do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que lhe informou sobre o pagamento aos advogados, que teria como objetivo tentar proteger o governo.
De acordo com Valério, Okamotto era a pessoa designada por Lula para ser o interlocutor do partido com as agências SMP&B e DNA, usadas em esquema de corrupção envolvendo contratos de publicidade que tinham como objetivo desviar recursos do Banco do Brasil para políticos. O caso foi descoberto em 2005, quando o então presidente do PTB, o ex-deputado federal Roberto Jefferson, denunciou a existência de uma rede de pagamentos operada por Marcos Valério.
Para ter valor jurídico, a colaboração de Valério ainda depende de homologação do Supremo Tribunal Federal (STF).
A Andrade Gutierrez informou que não vai comentar a declaração de Marcos Valério. A assessoria de Okamotto também não quis se manifestar. Já o advogado de Valério, Marcelo Leonardo informou desconhecer o teor da colaboração premiada de seu antigo cliente no processo do mensalão. Ele negou ter recebido valores da Andrade Gutierrez ou de doleiros.