A ex-presidente Dilma Rousseff (PT) disse que não tem “ódio” do seu sucessor, o presidente Michel Temer (PMDB), mas o chamou ontem de “traidor” a uma rádio gaúcha: “Eu não tive ódio de torturador, por que eu vou ter ódio de traidor nesse processo (de impeachment)?”
A petista fez referência ao seu passado político, quando foi presa e torturada no regime militar, e disse que o sentimento que a traição provoca é de “injustiça”.
[quote]“Não se pode ter ódio das pessoas. O ódio faz com que você seja capturado pelo objeto que você odeia.”[/quote]
Ela disse ainda ser vítima do impeachment que, para ela, tinha dois objetivos: evitar que “a Lava a Jato chegasse até eles” e “aprovar essa PEC da Maldade”, a “reforma da Previdência” que é “ultra contra os interesses dos trabalhadores”.
Sobre o ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB), Dilma afirmou que a Câmara era “homogeneizada” por ele e que, se não aceitasse suas propostas, “não tinha gestão”.
Questionada sobre a rotina fora da presidência, Dilma respondeu que tem navegado pela internet, se comunicado por meio do WhatsApp e usado redes sociais. “Tenho tido uma vida intensa nessa área”, disse
Dilma, ao explicar que agora sua vida é “bem mais leve do que era antes” e que pode ler mais, ver filmes e ter convívio com os netos.
Dilma defendeu o ex-presidente Lula (PT) durante a entrevista. Caso Lula seja preso, Dilma afirma que “a prisão será vista como corolário do golpe pelo mundo”. A ex-presidente disse ainda que “acha que há um objetivo claro de condená-lo na segunda instância”.
Dilma, que votou no candidato do PT, Raul Pont, à Prefeitura de Porto Alegre no primeiro turno, disse que “não estará” na cidade e irá justificar o voto no segundo turno. O voto de Dilma no primeiro turno foi marcado por uma confusão após um juiz proibir o acompanhamento da imprensa.
