
Quem fez a denúncia foi um sobrinho da parlamentar, o professor de jiu-jítsu Raul Esteban Pereira, 32. A ex-funcionária seria prima da mulher de Raul, segundo ele.
“Ela dividiu o salário nos dois primeiros meses. Em nenhum momento ela (a servidora) ficou integralmente com o salário, mas recebia quase 50%”, alegou o professor, que reportou ainda o motivo indicado pela ex-assessora para pedir o desligamento do gabinete de Neuzinha.
“Com muita informação de Lava a Jato na televisão, ela, por ser leiga, acreditou que chegaria nela essa questão de investigação, polícia. Ficou com medo de ser presa”.
Segundo o Portal de Transparência da Câmara, a ex-funcionária recebia R$ 2.240,60 líquidos de salário e esteve no cargo de fevereiro a abril do ano passado.
Raul ainda acusa a tia de exigir auxílio-alimentação, de R$ 600, pago por meio de cartão magnético “da maioria” de seus assessores.
Todos os servidores da Casa, exceto estagiários recebem o benefício. Vereadores também não recebem. Em nota, o Ministério Público Estadual (MP-ES), informou que recebeu a denúncia contra a vereadora por meio da Promotoria de Justiça Cível de Vitória e analisa o caso. “Se forem confirmadas as irregularidades, serão tomadas medidas cabíveis”, conclui a nota.
Processo
De acordo com o advogado criminalista, André Rocha, se confirmadas as práticas denunciadas, Neuzinha pode responder por corrupção passiva e pegar de um a oito anos de prisão.
“Também poderá ser condenada ao ressarcimento do dano ao erário, multa, perda de eventual função pública, suspensão dos direitos políticos e a proibição de contratar com o poder público”, disse.
A vereadora Neuzinha foi procurada pela reportagem e afirmou que tem conhecimento da denúncia feita pelo sobrinho, Raul Esteban Pereira, mas nega as acusações de que teria exigido receber parte do salário da ex-assessora.
Leia a reportagem na íntegra na edição do jornal A Tribuna deste sábado.