
O presidente Michel Temer admitiu que o governo estuda aumentos de impostos para conter o rombo no Orçamento, mas recuou da possibilidade de aumentar o Imposto de Renda (IR) dos contribuintes mais ricos — uma das ideias que sua equipe econômica está avaliando. Houve pressão do empresariado.
Em nota divulgada pelo Palácio do Planalto no início da noite dessa terça-feira (8), Temer se comprometeu a não enviar proposta de aumento do IR ao Congresso. A ideia era a criação de uma alíquota de 30% ou 35% para quem ganha mais de R$ 20 mil mensais. Empresários se uniram contra a medida, divulgada pelo início da manhã dessa terça, e que teve um recuo durante a noite.
O governo tem de apresentar até o fim do mês ao Congresso a proposta do Orçamento da União para o próximo ano, quando pretende reduzir o déficit para R$ 129 bilhões.
Com a lenta recuperação da economia e das receitas do governo, Temer tem encontrado dificuldades para cumprir a meta estabelecida para este ano, que prevê rombo de R$ 139 bilhões, e aumentou os tributos sobre os combustíveis.
Para evitar novos aumentos de impostos, o governo ainda conta com a aprovação da reforma da Previdência, do Refis, um programa de negociação de dívidas com o fisco em discussão no Congresso, e de uma nova proposta para reoneração da folha de pagamento das empresas, que será enviada em regime de urgência. O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, disse que o governo está fazendo de tudo para manter a estabilidade.