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Saúde

A importância da vacinação na infância

Martina Zanotti Martina Zanotti é infectologista. Foto: Divulgação Vacinar é uma das formas mais efetivas e de menor custo para reduzir a mortalidade ...

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Martina Zanotti

Martina Zanotti é infectologista. Foto: Divulgação Martina Zanotti é infectologista. Foto: Divulgação

Vacinar é uma das formas mais efetivas e de menor custo para reduzir a mortalidade infantil, conforme a Organização Mundial da Saúde (OMS). Pais que se recusam a vacinar suas crianças, embora façam uma escolha individual, devem ter em mente que essa opção não afeta só a esse indivíduo, mas toda a população.

A vacinação é uma das medidas mais importantes de prevenção contra doenças. Ela protege o corpo humano contra vírus e bactérias que provocam vários tipos de doenças graves, e que podem afetar seriamente a saúde das pessoas, podendo levá-las à morte.

Imunizar uma população impede a propagação dos agentes infecciosos. Portanto, quanto mais pessoas vulneráveis, mais chances o agente invasor tem de causar doenças. O movimento antivacina é extremamente prejudicial não só para o indivíduo que fez essa opção, mas para toda a sociedade.

Um dos mitos mais propagados pelos defensores do movimento antivacina e que comprovou-se uma inverdade, é a ideia de que algumas vacinas contribuam para o desenvolvimento de autismo. O médico britânico Andrew Wakefield foi o grande responsável pela repercussão dessas ideias. Wakefield publicou um estudo relacionando a vacina tríplice viral (contra caxumba, rubeóla e sarampo) ao surgimento de autismo em crianças.

Pesquisas posteriores mostraram que os resultados obtidos pelo inglês eram completamente falsos, e que não se consubstanciava a correlação entre o advento de casos de autismo à vacinação. Foi a primeira vez que a revista Lancet [conceituado periódico médico] pediu a retirada de um trabalho de seus anais. Os participantes da pesquisa quiseram ter seus nomes retirados e o médico Andrew Wakefield foi condenado pela gravidade de suas afirmações falsas, pelo conselho de ética britânico.

Outro mito é o de que o sistema imune do bebê não estaria apto a receber uma quantidade grande de vacinas, já que com o passar do tempo, felizmente, vão surgindo novas vacinas. Antes do licenciamento e da liberação de cada vacina, estudos científicos bem fundamentados e rigorosos são realizados, demonstrando-se uma resposta imunológica consistente e adequada para as faixas etárias nas quais as vacinas são indicadas.

O sistema imunológico da criança, mesmo de lactentes, tem perfeitas condições de produzir anticorpos em quantidade suficiente para protegê-lo das infecções. Além disso, de acordo com estudos científicos, algumas vacinas apresentam uma melhor resposta quanto mais jovem a criança for vacinada. Com base nesses estudos é que a idade de aplicação de cada vacina é definida nos calendários.

Ao recusar uma vacina, devemos lembrar da época em que doenças devastadoras ameaçaram nossa população. A poliomielite, conhecida como paralisia infantil, já fez muitas vítimas com óbitos e sequelas horríveis na era pré-vacina. Graças a vacinação, a doença foi erradicada do nosso país.

Claro que qualquer produto não é totalmente isento de risco. Porém, as vacinas estão entre os produtos biológicos de maior segurança. Eventos adversos que podem ocorrer são raros e incluem principalmente reações no local da aplicação, como dor, vermelhidão, inchaço, além de febre e mal estar geral. Vale ressaltar que esses efeitos normalmente são auto limitados, benignos e de curta duração. Os riscos das vacinas são desprezíveis quando comparados aos inúmeros benefícios ao prevenirmos doenças graves e até fatais.

Martina Zanotti é infectologista

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