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Saúde

Anvisa impõe restrições ao uso da polilaminina

Decisão foi tomada após uma reavaliação dos riscos, motivada pelo aumento dos pedidos de acesso e pelo registro de mortes

Sede da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)

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Sede da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)
Sede da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) Foto: Divulgação/Governo Federal

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) decidiu impor restrições ao uso compassivo da polilaminina e passou a adotar os mesmos critérios previstos no estudo clínico de fase 1 da substância experimental.

Com isso, o acesso ficou restrito a pacientes com lesões na medula espinhal sofridas em até 72 horas e localizadas na região torácica da coluna, entre as vértebras T2 e T10.

Antes, as autorizações abrangiam pacientes com lesões completas em qualquer região da medula, desde que o trauma tivesse ocorrido em até três meses.

A bióloga Tatiana Coelho de Sampaio, professora na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e principal pesquisadora da substância, disse em um vídeo nas redes sociais que considera as restrições ilegais.

A Anvisa afirma que a decisão foi tomada após uma reavaliação dos riscos, motivada pelo aumento dos pedidos de acesso e pela notificação de mortes entre pacientes que receberam a substância. Até o momento, a agência contabiliza 119 aplicações por uso compassivo e nove óbitos.

O medicamento experimental tenta recuperar funções motoras em pessoas com lesões na medula espinhal que provocam paraplegia e tetraplegia. A segurança e a eficácia da polilaminina, no entanto, ainda não foram comprovadas cientificamente.

A Anvisa repudiou os ataques pessoais a seus servidores e dirigentes e afirmou que suas decisões são tomadas com base em critérios técnicos e na proteção da saúde da população.

O laboratório Cristália, fabricante da substância, saiu em defesa da agência. Em nota, afirmou que “reafirma sua plena confiança na Anvisa” e “manifesta seu apoio integral ao corpo diretivo e técnico da Anvisa, em especial à doutora Daniela Marreco”.

Incertezas sobre a segurança

Acesso

O acesso à polilaminina pode ocorrer por meio de estudos clínicos ou por uso compassivo. A Anvisa autorizou em janeiro um estudo de fase 1, que é este que está para começar no Hospital das Clínicas.

Já o uso compassivo é um mecanismo previsto na regulamentação brasileira que permite a pacientes com doenças graves e sem alternativas terapêuticas satisfatórias receber medicamentos em testes.

Restrições

Segundo a agência, o que ocorreu foi uma nova avaliação da relação entre riscos e benefícios da polilaminina, diante das incertezas sobre a segurança da substância.

A bióloga Tatiana Coelho de Sampaio, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e principal pesquisadora da substância, disse que considera as restrições ilegais.

Critérios

A Anvisa decidiu adotar os critérios de inclusão do estudo clínico para as autorizações de uso compassivo, até que existam mais evidências de segurança.

A agência afirma que as autorizações anteriores, fora desses critérios, ocorreram antes da aprovação do estudo clínico, em janeiro, ou em cumprimento de decisões judiciais.



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