
antes da hora. Foto: Antonio Moreira/AT
A principal causa dos óbitos são os erros cometidos durante o tratamento. Só 9% dos asmáticos tratam a doença corretamente
Dados da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia revelam que cerca de 300 milhões de pessoas no mundo são afetadas pela asma.
No Brasil, os números também são assustadores. São 20 milhões de brasileiros enfrentando a doença que mata entre três e quatro pessoas por dia. A principal causa do alto índice de óbitos são os erros cometidos durante o tratamento. A conclusão é da pneumologista Cilea Martins.
De acordo com a especialista, que é presidente da Sociedade de Pneumologia do Espírito Santo, apenas 9% dos portadores de asma tratam a doença da maneira correta.
“Muitos encerram o tratamento antes da hora, ou só tratam em momentos de crise. Ainda têm aqueles que administram os medicamentos de forma equivocada”, analisou.
Cilea explicou que a asma é uma doença inflamatória das vias aéreas que prejudica a entrada e a saída de ar dos pulmões, por isso seu principal sintoma é o chiado respiratório. “Além disso, o paciente sente falta de ar e tosse”.

“Como ele não trata essa inflamação adequadamente, chega um momento em que esse entupimento das vias aéreas se torna irreversível. Muitas vezes, o paciente é levado para a UTI e precisa de auxílio de equipamentos para respirar. Mas muitos acabam não resistindo e morrendo”.
A médica alertou para o comportamento dos pais de crianças asmáticas, já que geralmente a doença aparece na infância.
“Muitas vezes, as mães não querem assumir que seus filhos têm asma, por se tratar de uma doença sem cura. Mas é importante saber que não há diferença entre bronquite e asma. A asma deve ser tratada com rigor para prevenção das crises”, alertou.

“Fazemos um exame chamado espirometria, que determina o grau de asma que a criança tem. Em adultos também realizamos esse exame, além de outros”.
A médica alertou que, para prevenir crises mais graves que levem à morte, os pacientes devem tratar a doença de maneira contínua e sempre tomar os cuidados necessários.
“A asma pode sumir na adolescência e voltar na vida adulta. O tratamento deve ser preventivo”, destacou a médica, que respondeu às perguntas dos leitores de A Tribuna.
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Quais são os fatores ambientais que mais causam asma?

Waldemar Guimarães Uliana, 40 anos, professor
Poeira doméstica, principal gerador de ácaro; tabagismo, que afeta muito pela alta sensibilidade dos asmáticos; produtos químicos fortes, como de limpeza; animais de estimação, entre outros. Recomendo que o quarto de uma pessoa que tenha asma seja bem arejado, sem acúmulo de objetos.
Sou asmática e estou grávida de seis meses. Posso ter problemas na gestação por causa disso?
Márcia Freitas Rocha, 31, dona de casa
Gestantes geralmente têm mais chances de terem rinite e refluxo, que podem causar crises asmáticas e problemas ao bebê. Por isso, mulheres grávidas devem manter o mesmo tratamento contra asma que faziam antes da gestação para prevenir possíveis crises.
Qual a diferença entre rinite e asma?
Rafael Salim, 29, personal trainer
É importante destacar essa diferença. Rinite é uma inflamação das vias aéreas superiores da mucosa nasal. Já a asma é uma inflamação das vias aéreas inferiores da mucosa, os brônquios.
Já ouvi falar que as bombinhas viciam e fazem mal para o coração. Isso é verdade?
Nathasha Líbano Castro, 29, pedagoga
Não viciam. Isso é mito. As bombinhas só fazem mal se o medicamento contido nelas for mal administrado. Uma superdosagem, por exemplo, pode causar problemas no coração.
Sempre que fico muito estressada, percebo que tenho crise de asma logo em seguida. O estresse está associado a estas crises?
Marcella Frilole Almeida, 35, costureira
As pessoas que têm asma são muito sensíveis. Um alto nível de estresse pode contribuir para uma crise de asma. Mas é importante alertar que o estresse também pode causar crise de pânico, por exemplo. Por isso, é preciso atenção redobrada aos sintomas.
Quais as maiores complicações causadas por asma não controlada?
Marcos Vinícius Fontenelle, 35, frentista
O tratamento inadequado da asma poderá ocasionar má qualidade de vida e interferir negativamente na vida social do paciente. Nos casos mais graves, pode levar à morte.
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– A maioria dos asmáticos pode levar uma vida normal, exatamente igual a de pessoas da mesma idade que são saudáveis e não têm a doença. Além disso, a maioria dos asmáticos não precisa se privar de nada.
- – Especialistas recomendam que o paciente asmático evite contato com poeira, fumaça de cigarro, pelo de animais, mofo, pólen, poluentes no trabalho, entre outros.
- – Segundo os médicos, quem tem asma deve usar diariamente a medicação controladora e consultar seu médico periodicamente.
- – Mesmo para os asmáticos a capacidade cardiorespiratória é ampliada através de exercícios físicos.
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Por Milena Martins para o Jornal A Tribuna do dia 23/07/2017
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A coluna Fala, Doutor é publicada todo domingo no caderno AT em Família


– A maioria dos asmáticos pode levar uma vida normal, exatamente igual a de pessoas da mesma idade que são saudáveis e não têm a doença. Além disso, a maioria dos asmáticos não precisa se privar de nada.