
Crianças dividindo macas, pronto-socorro com mais de 50 pacientes internados e sendo medicados em cadeiras plásticas. Essas situações foram retratadas por médicos do Hospital Infantil de Vitória, que fizeram, na tarde de terça-feira, 11, um protesto contra as atuais condições de atendimento. Eles ameaçaram abandonar suas funções.
Representantes de entidades que defendem a categoria, como o Conselho Regional de Medicina (CRM-ES) e o Sindicato dos Médicos do Espírito Santo (Simes), participaram do ato e reivindicaram melhorias na unidade hospitalar.
A pediatra do hospital e membro da Sociedade de Pediatria no Espírito Santo Tânia Pereira afirmou que a situação é grave e que, muitas vezes, as crianças chegam para tratar uma doença e acabam adquirindo outra. “Hoje, temos um número muito grande de pacientes internados no pronto-socorro, alguns em macas compartilhadas, o que prejudica o tratamento. Algumas chegam aqui para tratar uma pneumonia e pioram, adquirindo uma gastroenterite ou, às vezes, evoluem para emergência e até indo para o CTI.”
Outra queixa é com relação ao número de profissionais que atendem no pronto-socorro, considerado insuficiente. “Também trabalhamos em um ambiente insalubre, sem ventilação, higiene, com um banheiro para todos os pacientes e acompanhantes. Chegam pacientes de todos os municípios, 60 crianças para serem atendidas por dois médicos. Corre o risco de imprudência por essas más-condições.”
O presidente do Simes, Otto Baptista, explicou que as condições ruins do hospital são conhecidas e que o atendimento precisa ser humanizado. Para que isso aconteça, destacou que é preciso a contribuição de órgãos como Ministério Público, OAB e Conselho Federal de Medicina para intervir. Para ele, o Hospital Infantil de Vila Velha deveria absorver parte desse atendimento acumulado na unidade, após qualificação de leitos. “É preciso providências de emergência para essa situação.”
O presidente do CRM-ES, Carlos Magno Pretti Dalapícola, disse que o corpo clínico convocou as entidades para ajudar no problema. “Os médicos estão cansados, sem interesse de trabalhar nesse ambiente hostil. É um hospital de referência em pediatria, com casos que exigem maior atenção e cuidado e mais dos médicos.”
Bárbara Becalli
Confira a reportagem completa no Jornal A Tribuna desta quarta-feira