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Saúde

Médicos querem limitar açúcar para combater câncer

Radio-oncologista Nivaldo Kiister e endocrinologista e nutróloga Gabrieli Ottoni: alerta para o uso de açúcar. Foto: Thiago Coutinho/AT O Instituto ...

Última atualização

Radio-oncologista Nivaldo Kiister e endocrinologista e nutróloga Gabrieli Ottoni: alerta para o uso de açúcar. Foto: Thiago Coutinho/AT

O Instituto Nacional de Câncer lançou documento que defende medidas mais duras para limitar o açúcar em alimentos

Fazendo um alerta sobre o avanço da obesidade em todo o País, médicos saíram em defesa de limitar a venda de produtos com açúcar para combater 13 tipos de câncer.

O Instituto Nacional de Câncer (Inca), órgão do Ministério da Saúde, lançou na sexta-feira (4) um documento inédito que, além de chamar a atenção sobre esse avanço, defende medidas mais duras para combater o problema.

Uma deles é o aumento da tributação de bebidas açucaradas ou com adoçantes, a exemplo dos sucos de caixinha e refrigerantes, bem como a restrição da oferta de alimentos e bebidas não saudáveis nas escolas.

O radio-oncologista, do Instituto de Radioterapia Vitória (IRV), Nivaldo Kiister, salientou que os grandes vilões do excesso de peso são todos os produtos industrializados, entre os quais os sucos, refrigerantes e biscoitos.

“Estes produtos têm muito açúcar e pouca fibra. E o que acontece? O intestino, por exemplo, precisa de fibra para funcionar. Não tendo, a pessoa começa a ficar com o intestino preso e, às vezes, contribui para desenvolver o câncer de intestino.”

Ele também acrescentou que o consumo desses produtos induz a obesidade e, nas mulheres, pode contribuir no desenvolvimento do câncer de mama e endométrio (câncer no útero).

A endocrinologista e nutróloga Gabrieli Ottoni observou que esses hábitos saudáveis devem fazer parte do cotidiano das pessoas desde a infância, tanto em casa como na escola.

E ela sugere: “As pessoas devem dar preferência aos alimentos não ou minimamente processados, como carne fresca, leite, grãos, legumes, frutas, hortaliças, raízes, entre tantos outros.”

A nutricionista da unidade técnica de Alimentação, Nutrição e Câncer do Inca Luciana Grucci afirmou que produtos industrializados, como as bebidas açucaradas, aumentam a obesidade.

“Há estudos que apontam que o excesso de peso e a obesidade estão relacionados com pelo menos 13 tipos de câncer. O excesso de gordura corporal leva à inflamação e a alterações no organismo.”

Luciana ressaltou que as medidas sugeridas são recomendadas pela Organização Mundial da Saúde. Ela justificou que a intenção é mobilizar a sociedade para colocá-las em prática. Já a indústria rebate as propostas sob o argumento de que interfere na liberdade de escolha do consumidor.

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1 Esôfago (adenocarcinoma)

É o 6º mais frequente entre os homens e 13º entre as mulheres . O esôfago é o tubo que liga a garganta ao estômago.

2 Estômago (cárdia)

Também denominado câncer gástrico, seu pico de incidência se dá em sua maioria em homens, sendo que grande parte tem mais de 50 anos.

3 Pâncreas

Pelo fato de ser de difícil detecção, o câncer de pâncreas apresenta alta taxa de mortalidade, por conta do diagnóstico tardio e de seu comportamento agressivo.

4 Vesícula biliar

É diagnosticado em estágio avançado quando já está provocando sintomas no órgão e no corpo. Cerca 20% dos casos do câncer são diagnosticados em estágios iniciais

Autoexame ajuda a identificar câncer de mama. Foto: Reprodução

5 Mama (mulheres na pós-menopausa)

Tipo de câncer mais comum entre as mulheres no Brasil, depois do câncer de pele não melanoma, o tumor de mama responde por cerca de 25% dos casos novos por ano.

6 Intestino (cólon e reto)

O câncer colorretal (do intestino) é tratável e, na maioria dos casos, curável, ao ser detectado precocemente, quando ainda não se espalhou para outros órgãos.

7 Rins

Geralmente acomete indivíduos entre os 50 e 70 anos de idade, sendo duas vezes mais frequente nos homens que nas mulheres.

8 Fígado

Os tumores podem ser divididos em dois tipos: câncer primário (que tem sua origem no próprio órgão) e secundário ou metastático (originado em outro órgão e que atinge também o fígado).

9 Ovário

É o tumor ginecológico mais difícil de ser diagnosticado e o de menor chance de cura. A maioria dos cânceres apresentam-se em estágio avançado no diagnóstico.

10 Endométrio

O tumor que afeta a mucosa que recobre a face interna do útero tem sua incidência maior na faixa etária acima de 50 anos, tendo uma idade média de diagnóstico aos 61 anos.

11 Meningioma

Também chamado de meningeoma cerebral é um tipo de tumor benigno que se origina nas membranas que recobrem e protegem o nosso cérebro, as meninges. Apresentam crescimento lento e causam poucos sintomas.

12 Tireoide

Pode ser considerado o mais comum da região da cabeça e pescoço e é três vezes mais frequente no sexo feminino.

De todos os tipos, os carcinomas diferenciados são os mais frequentes.

13 Mieloma múltiplo

É um tumor que afeta a medula óssea e se caracteriza pelo aumento do número de plasmócitos, um tipo de célula que produz imunoglobulina, proteína que participa do sistema de defesa.

Fonte: Inca e Pesquisa AT.

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Obesidade no Brasil cresceu 60% em 10 anos

A nutróloga Bárbara Machado fala sobre doenças. Foto: Ademir Ribeiro

Nos últimos 10 anos, a obesidade cresceu 60% no Brasil, passando de 11,8% em 2006 para 18,9% em 2016, atingindo quase um em cada cinco brasileiros.

Os dados são da Pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), divulgados recentemente pelo Ministério da Saúde (MS).

Em Vitória, há 15,2% de pessoas com obesidade, sendo que 49,7% têm sobrepeso.

Segundo o MS, a obesidade colabora para a prevalência de hipertensão e diabetes, além de aumentar o risco para desenvolver câncer.

A nutróloga Bárbara Machado explicou que todas essas patologias se englobam nas chamadas doenças crônicas não transmissíveis.

“Elas são 70% das doenças que nos afetam e podem ser evitadas com hábitos de vida mais saudáveis, com alimentação natural e orgânica, por exemplo, além da prática de atividade física regular.”

A diabetes e a hipertensão também cresceram no País 61,8% e 14,2%, respectivamente. Em Vitória, 25,9% têm hipertensão e 9,7%, diabetes.

Mas houve uma melhora nos hábitos alimentares. O consumo de refrigerante ou sucos artificiais, por exemplo, era realizado por 30,9% da população em 2007 e hoje é de 16,5%. Quanto aos exercícios, em 2009 o indicador era de 30,3%; em 2016, 37,6% afirmaram se exercitar por pelo menos 150 minutos por semana.

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As propostas

O Instituto Nacional de Câncer (Inca) fez um posicionamento com ações integradas de prevenção e controle do sobrepeso e obesidade.

Tributação

O inca propõe o aumento da tributação de bebidas açucaradas e adoçadas com adoçantes não calóricos ou de baixa caloria.

Restrições

Também desejam restringir a publicidade e promoção de alimentos e bebidas não saudáveis dirigidas ao público infantil; restringir a oferta de alimentos e bebidas ultraprocessados nas escolas.

Rótulos

O órgão sugere o aprimoramento das normas de rotulagem de alimentos para deixar a informação mais compreensível e acessível.

Eles querem incluir um modelo de advertência em forma de texto frontal nas embalagens que indique por meio de mensagens diretas os alimentos e bebidas que contém altos teores de açúcar, sódio, gorduras, aditivos químicos e calorias.

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Estudo sobre os riscos do adoçante

O adoçante é saudável? Pode ser consumido? Há relação dele com câncer? Muitas dúvidas cercam o uso do produto. Para descobrir se é saudável ou não e se pode desencadear tumores, serão desenvolvidos estudos internacionais.

A informação é da nutricionista da unidade técnica de Alimentação, Nutrição e Câncer do Instituto Nacional de Câncer (Inca) Luciana Grucci.

“Estudos recentes mostram que o consumo de adoçante favorece o ganho de peso, diferente do que se imaginava, que ele poderia ajudar no emagrecimento. Além disso, ainda não se tem muita clareza da relação dos adoçantes com o risco de desenvolver câncer.”

Por isso, ela explicou que a Agência Internacional de Pesquisa em Câncer, sigla em inglês IARC, colocou o tema como prioridade. “Com isso, haverá diversos estudos para saber se há relação do produto com câncer.”

A nutricionista Gabriela Sampaio frisou que o ideal é tentar acostumar o paladar com o sabor original dos alimentos, com menos adoçantes e menos açúcares.

“Alguns tipos de adoçantes são mais recomendáveis como o stévia e o xylitol, por serem de base natural. Quanto aos açúcares, há o mascavo, demerara e o de coco, que têm teor nutricional melhor.”

A nutróloga Bárbara Machado ressaltou que é possível usar ainda o mel para adoçar sucos. “É uma opção interessante para crianças, pois é um produto saudável, já que é o açúcar natural da abelha, e auxilia no funcionamento do sistema imunológico. Só deve se ter atenção ao uso em pacientes diabéticos.”

Alimentação

Já o oncologista Luiz Gustavo Berriel, do Hospital Meridional, lembrou que a alimentação também influencia outras doenças além do câncer, como obesidade, diabetes e hipertensão.

Ele ponderou que a venda de produtos ricos em açúcar não deveria ser restrita ou imposta, mas sim uma decisão pessoal.

Uma opção seria substituir esses produtos por alimentos mais naturais. “A pessoa deve usar o mínimo de açúcar possível, menos alimentos processados, utilizando mais as feiras livres e hortifrutis.”

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Nada de suco em caixinha

Katia Cristina de Almeida e sua filha Isabelly Almeida dos Santos. Foto: Thiago Coutinho/AT

Ao chegar ao supermercado, a pequena Isabelly Almeida dos Santos, de 4 anos, olha para um carrinho do seu tamanho e logo se encarrega de assumir o comando.

Mas no lugar de parar em prateleiras de doces e biscoitos, ela opta pela seção de frutas.

E sem titubear, Isabelly indica para a mãe, a encarregada de departamento de pessoal Katia Cristina de Almeida, de 36 anos, quais alimentos deseja levar para casa. Entre eles, estão maçã, banana, melão, laranja e mexerica.

Cheia de orgulho, Katia lembra que há três anos optou por uma vida saudável e deixou de lado o consumo de refrigerantes, sucos em caixinha e alimentos gordurosos. O mês

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Como substituir

Açúcar

especialistas afirmam que é possível reduzir o consumo do açúcar branco, considerado um dos vilões da alimentação, por levar a inflamações no organismo. Pode ser feita a troca, por exemplo, por meio de açúcar mascavo – que é mais escuro e natural, menos processado.

Outras opções são os açúcares de coco e o demerara. Todos os três são opções com teor nutricional melhor e com menor índice glicêmico (libera o açúcar mais devagar no sangue).

Stevia é opção natural para adoçar. Foto: Reprodução.

Adoçante

O ideal é evitar o consumo. O produto foi desenvolvido para pacientes diabéticos. Estudos internacionais serão realizados para saber a relação dos adoçantes com o câncer.

Mas é possível utilizar opções mais naturais, como o stevia. Ele é extraído de uma planta, sendo mais saudável. Há ainda o xylitol, que é encontrado em pequenas quantidades em frutas e vegetais.

Sucos de caixinha e refrigerantes

Produtos como esses, que têm muito açúcar e conservantes, devem ser substituídos por sucos 100% integrais, feitos com frutas, água de coco, água saborizada e polpas que têm realmente apenas as frutas.

Industrializados

O ideal é consumir o mínimo possível ou optar por produtos que tenham menos ingredientes. O ideal é optar por preparações feitas em casa e alimentos naturais e orgânicos.

Fonte: Especialistas consultados.

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Reportagem especial de Eliane Proscholdt e Kelly Kalle para o jornal A Tribuna do dia 04/08/2017

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