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CIRURGIAS

Pacientes fazem até vaquinhas para pagar cirurgias

Alternativa é adotada por pacientes que dependem do SUS e esbarram na burocracia e demora para realizar os procedimentos

Pacientes estão recorrendo até a vaquinhas para bancar tratamentos e cirurgias.

Última atualização

 













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Na luta pela sobrevivência ou buscando minimizar o sofrimento causado por problemas de saúde, pacientes estão recorrendo até a vaquinhas para bancar tratamentos e cirurgias.

Essa é a realidade de pacientes que dependem do Sistema Único de Saúde (SUS), mas esbarram na burocracia e demora para realizarem os procedimentos. 

Um dos exemplos é o ajudante de pedreiro Geneylson Torres Nascimento Júnior, de 25 anos, que mora em Castelo, no Sul do Estado. Ele precisou organizar uma vaquinha na internet para arrecadar R$ 12 mil para pagar uma cirurgia no pulso esquerdo, em março, após sofrer uma queda enquanto andava.

De acordo com a mãe do jovem, Lusinete Barbosa, 55, no dia 3 de fevereiro, ele foi socorrido pela equipe do Samu e enviado para a Santa Casa de Castelo. Dias depois, 14 de fevereiro,  ele foi transferido para a Santa Casa de Cachoeiro de Itapemirim, onde seguiu internado com uma tala provisória enquanto não conseguia a cirurgia para a colocação da platina. 

“Com os exames, foi possível observar que os ossos foram quebrados e deslocados, mantendo-se apenas pelos tendões, e foi necessária uma cirurgia para colocação de platina”, contou a mãe.

Ainda segundo Lusinete, por se tratar de uma cirurgia de urgência, a família decidiu lançar a campanha para arrecadar o dinheiro. 

O procedimento particular, com todos os exames e o pós-operatório, ficou R$ 12 mil, o que foi inacessível para os familiares.  “Foi procurado atendimento público, mas ele ficou mais de um mês aguardando vaga para cirurgia e sem previsão de marcação. Atingimos o valor de R$ 12 mil neste período e pagamos a cirurgia”.

Emocionada, ela agradeceu. “Nessas horas precisamos da ajuda de todos que puderem. Agradecemos a todos”.

Quem confirma essa realidade é o advogado Wanderson Gonçalves Mariano. Segundo ele, a demora na liberação de exames e cirurgias pelo SUS tem feito com que muitos pacientes criem vaquinhas virtuais, com a finalidade de captar recursos, junto a amigos e terceiros, para conseguir realizar o procedimento necessário, na rede privada, de forma imediata. 

“Essa solução alternativa somente é adotada, pois há falha no sistema público em não garantir tratamento tempestivo para os seus cidadãos”.

Sofrimento e espera de até 4 anos

 













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Para quem precisa aguardar pelo Sistema Único de Saúde (SUS) com a finalidade de  realizar um procedimento, a espera pode ser longa. Há casos em que pacientes na fila chegam a aguardar por quatro anos por cirurgias.

É o caso de um aposentado de 60 anos de idade, que necessita de uma cirurgia  devido um cálculo renal.

“Eu tenho um cálculo, do tamanho de um amendoim médio, que precisa ser retirado porque não tem como sair a não ser por cirurgia. São quatro anos de angústia e espera”, contou o aposentado, que pediu para o seu nome ser preservado.

O paciente contou que corre risco e pensa em recorrer ao poder judiciário. “O cálculo está no ureter e o médico disse que em 24 horas pode provocar uma lesão. Ele explicou que se estancar o canal, obstruir, eu corro risco de morte”.

A decisão de entrar na Justiça, como ele destaca, foi adiada devido a pandemia  da covid-19. “Agora vou correr atrás de novo laudo médico que aponta a urgência da cirurgia no meu caso. Para isso, preciso de toda documentação. Não quero correr o risco de agravar o meu quadro. Já faço tratamento de câncer e não posso arriscar”.

A sua peregrinação continua. “Marquei uma consulta para setembro com um especialista e há cerca de um mês me ligaram adiando a consulta para novembro. Imagina a cirurgia. É muito descaso com o cidadão, que tem direito à saúde assegurado por lei”, lamentou o aposentado.

Tireoide

 













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Para a atendente Angela Maria Pereira, de 51 anos, a espera não chega a tanto, mas desde outubro do ano passado ela aguarda  um procedimento que é de urgência. 

“Por causa do tempo de espera pela cirurgia de tireoide, eu tenho dificuldade de respirar e de falar”.  

Segundo Angela, há um ano ela fez uma traqueostomia após um quadro grave de covid-19. 

De lá para cá, um problema da tireoide fez com que a região do pescoço inchasse muito,  dificultando ainda mais a fala e a respiração. 

Desde então, ela tenta fazer a cirurgia no Hospital das Clínicas (Hucam), em Vitória, mas já teve o procedimento adiado por duas vezes. 

Sobre o caso de Angela, o Hucam-Ufes informa que, ao reanalisar o caso, foi constatada a necessidade de priorização da demanda, e os procedimentos para reserva de leito de UTI para o pós-operatório seguro da paciente serão adotados”.

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