O genoma do vírus zika, coletado no organismo de mosquitos do gênero Culex, foi sequenciado por cientistas da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em Pernambuco. Com o sequenciamento, foi descoberto que o vírus consegue alcançar a glândula salivar do animal, o que indicaria, segundo a instituição, que o pernilongo pode ser um dos transmissores do vírus zika.
Os mosquitos do gênero Culex (seu nome científico) foram colhidos na Região Metropolitana do Recife, já infectados. A equipe do Departamento de Entomologia da Fiocruz conseguiu, então, comprovar em laboratório que o vírus consegue se replicar dentro do mosquito e chegar até a glândula salivar.
Foi fotografada por microscopia eletrônica, também pela primeira vez, a formação de partículas virais do zika na glândula do inseto.
A descoberta pode ajudar a compreender porque a epidemia de zika foi mais grave em algumas regiões do País ou porque há mais casos de microcefalia em bebês de mulheres de baixa renda. Isso porque o Culex se reproduz em água poluída, comum onde não há saneamento básico. Mas, para isso, os pesquisadores ainda precisam estabelecer qual a importância do inseto como vetor da doença.
Caso o pernilongo seja estabelecido como vetor importante, esse fato pode explicar a ocorrência de mais casos no Nordeste ou a relação de áreas sem esgotamento sanitário com a quantidade de infecções.