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DO PARTIDÃO AO DIÁLOGO COM A CASERNA

Brasília: cerimônia marca despedida de Raul Jungmann nesta segunda-feira (19)

Familiares e amigos próximos se reuniram no Cemitério Campo da Esperança para o último adeus ao ex-ministro

Jungmann faleceu neste último domingo; sua habilidade em dialogar com a caserna, em momentos de tensão, é apontada por observadores políticos como sua principal marca na Esplanada
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Aline Moura

Aline Moura é formada pela UFPE, trabalhou como repórter de Política, Editora Assistente de Produção de Política e repórter especial do Diario de Pernambuco, num período de 15 anos, onde atuou em todas as áreas, exceto esportes. Também teve experiência de quatro anos como gerente de comunicação da Secretaria do Trabalho, Emprego e Qualificação de Pernambuco e voltou ao jornalismo para integrar a equipe do Portal da Tribuna Online como repórter.

Última atualização



A tarde desta segunda-feira (19) foi de despedida para Raul Jungmann em Brasília. O velório do ex-ministro ocorreu no Cemitério Campo da Esperança, na Asa Sul, em uma cerimônia restrita a familiares e ao círculo de amigos mais próximos. O rito fúnebre na capital federal encerra o ciclo público do político pernambucano, que morreu aos 73 anos, deixando um histórico de atuação direta no núcleo do poder nacional.


Articulador de crises entre civis e militares


No tabuleiro político, Jungmann era visto como um operador de bastidores capaz de transitar em terrenos áridos. Foi o escolhido para pastas de alta voltagem, como o Ministério do Desenvolvimento Agrário no governo FHC, e a Defesa e Segurança Pública na gestão de Michel Temer (MDB). Sua habilidade em dialogar com a caserna, em momentos de tensão, é apontada por observadores políticos como sua principal marca na Esplanada.


Das bases do PCB ao distanciamento do bolsonarismo


A trajetória de Jungmann começou na resistência à ditadura militar, militando no antigo Partido Comunista Brasileiro (PCB) — o “Partidão”. Com a redemocratização, tornou-se um quadro técnico-político de confiança, passando pelo PPS e consolidando-se como um reformista de centro.


Apesar de ter sido o primeiro Ministro da Segurança Pública do país, cargo criado por Michel Temer, Jungmann manteve-se como uma voz crítica ao governo de Jair Bolsonaro. Em análises e entrevistas, ele frequentemente alertava para o risco de politização das Forças Armadas e das polícias, posicionando-se como um defensor do controle civil sobre as instituições de força.


Jungmann também exerceu mandatos como deputado federal: entre 2003 e 2006 pelo PMDB, de 2007 a 2010 pelo PPS e de 2015 a 2018 novamente pelo PPS.

O embate das armas e o plebiscito de 2005


Um dos episódios mais divisivos de sua trajetória foi a liderança na campanha pelo “Sim” no referendo sobre o desarmamento, em 2005. Jungmann foi um dos principais articuladores da proibição da comercialização de armas de fogo e munições no Brasil. A derrota nas urnas — quando a maioria da população votou pela manutenção do comércio — não o fez recuar da pauta. Anos depois, já como Ministro da Segurança Pública, ele enfrentou críticas de setores armamentistas ao manter o discurso de que o controle rigoroso de armas era o único caminho para reduzir os índices de violência urbana.


Transição para o setor mineral e o fim da jornada


Desde 2022 até sua morte, Jungmann presidia o Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), onde aplicava a experiência política para mediar os interesses do setor produtivo com as exigências ambientais e regulatórias. A cerimônia de hoje, no coração de Brasília, simbolizou o recolhimento final de um personagem que, por décadas, esteve sob os holofotes das grandes decisões do país.

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