O País não tem adquirido e aplicado as vacinas contra a Covid-19 com a rapidez necessária para proteger a população, de acordo com médicos do Estado. Segundo cálculo da BBC Brasil, mantendo o ritmo atual de vacinação, poderia levar mais de quatro anos para que o País alcance a imunidade coletiva.
“Para que a gente chegue à imunidade de rebanho, gerando um melhor enfrentamento à doença, é importante que a vacinação seja mais rápida para termos maior proporção de pessoas vacinadas”, afirmou o infectologista Paulo Peçanha. “Não podemos esperar que a infecção natural leve à diminuição dos casos”.

“Imunidade de rebanho” significa que, com uma certa porcentagem da população vacinada, toda a comunidade estaria segura. Isso acontece porque o vírus não encontraria indivíduos vulneráveis para dar início a uma cadeia de transmissão.
“O Brasil precisa acelerar a vacinação, para desafogar o sistema de saúde”, concordou o cardiologista Henrique Bonaldi.
“É possível que a imunidade coletiva seja alcançada com a vacinação de uma porcentagem menor que a prevista por especialistas, porque os brasileiros não respeitaram o isolamento e muitos foram contaminados. Mas, ainda assim, é urgente que todos os idosos sejam imunizados para diminuir a ocupação nos hospitais”, frisou.
“Nós já deveríamos ter utilizado pelo menos todo esse primeiro lote de 6 milhões de doses da Coronavac e da Sinovac”, analisou o epidemiologista Paulo Lotufo, em entrevista à BBC.
A epidemiologista Carla Domingues coordenou o Programa Nacional de Imunizações (PNI) do Ministério da Saúde por quase 10 anos. Ela acredita que o Brasil tem capacidade e profissionais suficientes para acelerar o plano de vacinação.
“Nas campanhas contra a gripe, que acontecem todos os anos, nós conseguimos imunizar 80 milhões de brasileiros em apenas 90 dias”, comparou.