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TRIBUNA LIVRE

Dia da moqueca capixaba, sua história

Prato símbolo do Espírito Santo é celebrado em homenagem ao jornalista Cacau Monjardim e à cultura capixaba

Dia da moqueca capixaba, sua história
- Manoel Goes Neto é escritor, produtor cultural e diretor no IHGES

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O Dia da Moqueca Capixaba é comemorado oficialmente em 30 de setembro. A data foi escolhida em homenagem ao aniversário do jornalista e escritor capixaba José Carlos Monjardim Cavalcanti (Cacau Monjardim). O prato é patrimônio cultural e faz parte da história do Estado há mais de quatro séculos, sendo preparado obrigatoriamente na tradicional panela de barro, fabricada necessariamente em Goiabeiras, conforme enfatizava o querido Cacau.

A célebre frase “moqueca é capixaba, o resto é peixada”, conta-se que Cacau teria cunhado a expressão que hoje integra o vocabulário capixaba em viagem à Bahia, lá pelos idos dos anos 1970, ao provar a iguaria do estado vizinho. Degustar esse símbolo da nossa culinária, marca do capixabismo. Capixabismo pra gente é cultuar o Espírito Santo, é defender a nossa cultura, os nossos costumes, nossas gírias, nossa culinária.

A frase ganhou tal peso que reverbera até hoje, sendo mais lembrada do que a própria data em que se celebra a moqueca. Se não foi o dito que tornou o prato querido pelos capixabas, ele, de alguma maneira, tornou-se uma espécie de hino de valorização da culinária local. De modo simples e certeiro, sintetizou nosso anseio coletivo pelo reconhecimento da autenticidade da moqueca, como símbolo de orgulho e pertencimento.

Cacau é autor também da frase “Panelas de barro só a de Goiabeiras, o resto é tralha de cozinhar”. Faleceu em 2022, aos 93 anos. “Embaixador da Moqueca Capixaba”, tive o privilégio de compartilhar da sua amizade e ensinamentos, e deixou um grande legado.

Nasceu em Fradinhos, em Vitória, em 1929. Jornalista profissional, administrador de empresa, bacharel em Direito. Era nosso confrade no Instituto Histórico e Geográfico do Espírito Santo (onde estou diretor) e da Academia de Artes e Letras de Cascais, em Portugal. Ele foi presidente por 10 anos da extinta Empresa Capixaba de Turismo (Emcatur), que foi criada no governo Christiano Dias Lopes. Foi secretário de Estado da Comunicação e administrou jornais, revistas e emissoras de rádio no Espírito Santo. Ainda foi correspondente do jornal Pravda, de Moscou.

A panela de barro é a maior representação do nosso artesanato capixaba. De origem indígena, é uma tradição passada de mães para filhas há pelo menos 400 anos. O seu feitio foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional em novembro de 2002, com base regulatória estabelecida pelo Decreto Federal nº 3.551 de 4 de agosto de 2000, tornando o Ofício das Paneleiras de Goiabeiras o primeiro bem imaterial registrado no País.

Toda vez que nós, capixabas, convidamos alguém de fora, o convite vem acompanhado da proposta de degustar uma moqueca capixaba. Mais propriamente de moqueca. Porque, para o nascido ou criado em terras capixabas, dizer “moqueca capixaba” é uma redundância, como “subir para cima” ou “descer para baixo”. A frase de Cacau Monjardim já se tornou corrente entre os locais e é repetida com fartura: “moqueca é capixaba, o resto é peixada”.


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