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Selic menor ajuda setor, mas crédito é obstáculo

Queda da Selic pode reduzir o custo do crédito, mas efeito imediato sobre as vendas de veículos tende a ser limitado

Selic menor ajuda setor, mas crédito é obstáculo
- Jorge Moraes.
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Jorge Moraes

Jorge Moraes é jornalista e referência no setor automotivo brasileiro. Com mais de 28 anos de carreira, foi editor do Diário de Pernambuco, colunista do UOL, âncora da CBN Recife e apresentador do programa Auto Motor, exibido na TV Tribuna/Band. Reconhecido por sua autenticidade e expertise, já realizou coberturas internacionais nos principais salões automotivos do mundo e é palestrante e mentor, com mais de 1.000 profissionais mentorados na área automotiva.

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A redução da taxa básica de juros pode trazer reflexos positivos para o mercado automotivo brasileiro, mas o impacto imediato sobre as vendas deverá ser limitado. Apesar do movimento favorável, o custo do dinheiro continua elevado, especialmente para quem depende de financiamento para comprar um veículo.

Como a Selic serve de referência para as demais taxas praticadas na economia, sua redução tende, ao longo do tempo, a diminuir o custo de captação dos bancos e abrir espaço para juros menores ao consumidor.

Para o vice-presidente da Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores (Fenauto), Glenio Júnior, a redução não deve provocar uma mudança significativa no curto prazo.

Segundo ele, as instituições financeiras permanecem mais seletivas na aprovação dos financiamentos diante do elevado endividamento da população.

Ainda assim, o mercado de seminovos e usados, sempre impactado por uma taxa de juros mais alta em relação ao zero quilômetro, mantém trajetória positiva.

Segundo a Fenauto, foram comercializados 12,53 milhões de veículos entre janeiro e agosto de 2026, crescimento nominal de 6,4% em relação aos 11,78 milhões de unidades registradas no mesmo período de 2025.

Considerando a média por dia útil, o avanço chegou a 7,7%. Os números incluem automóveis, comerciais leves, motocicletas e veículos pesados.

Na avaliação de Cássio Pagliarini, consultor da Bright Consulting, a redução da Selic também possui um componente estatístico e comportamental. “Quando milhares de consumidores são analisados em conjunto, porém, uma pequena melhora nas condições financeiras pode aumentar a quantidade de decisões favoráveis”.

Mesmo que a diferença na prestação seja pequena, a sinalização de queda dos juros pode estimular consultas, simulações de financiamento e visitas às lojas.

O efeito mais relevante dependerá da continuidade dos cortes. Caso a Selic continue recuando, entretanto, bancos e financeiras poderão encontrar mais espaço para reduzir taxas, ampliar prazos e desenvolver campanhas subsidiadas pelas montadoras e concessionárias.

O setor de financiamento já apresenta crescimento em volume. Segundo levantamento da B3, 3,778 milhões de veículos novos e usados, incluindo automóveis, motocicletas e pesados, foram financiados no primeiro semestre de 2026. O resultado representa avanço de 10,9% sobre o mesmo período de 2025.

Mercado de carros novos cresce

O mercado de veículos novos chega ao novo ciclo de juros com números positivos. Entre janeiro e agosto de 2026, os emplacamentos somaram 1,975 milhão de unidades, crescimento de 18,4% na comparação com o mesmo período do ano anterior. Somente em agosto foram licenciados 275,1 mil veículos, segundo dados divulgados pela Anfavea.

A produção nacional também avançou. As fábricas brasileiras produziram 271,2 mil unidades em agosto, alta de 9,4% sobre o mesmo mês de 2025. No acumulado do ano, a produção se aproximou de 1,9 milhão de veículos, com crescimento de 8,5%.

Parte do desempenho é sustentada por vendas diretas a locadoras, por descontos oferecidos pelas montadoras e pela ampliação da participação dos importados.

A indústria automobilística responde, historicamente, por cerca de 20% do PIB da indústria de transformação e por algo próximo de 4% do PIB brasileiro, considerando a produção de veículos e sua cadeia de fornecedores. O setor também movimenta a siderurgia, a mineração, a petroquímica, além de setores de componentes, tecnologia, logística, seguros, manutenção, distribuição e serviços financeiros.



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