- Vitória, ES 22°C

Anúncio
Cidades

Especialista afirma: “Jogos online não são só jogos, são redes sociais”

Ele aponta que há riscos também em plataformas usadas quase exclusivamente por crianças e adolescentes — muitas vezes fora do radar dos adultos

Rodrigo Nejm explica que hoje plataformas de jogos funcionam como uma espécie de rede social, onde é possível a troca de mensagens entre usuários

Última atualização

00:00
Modo claro
Modo escuro
A+ A-


A ideia de que jogo é só um jogo ficou no passado. Hoje, plataformas como Roblox e Minecraft funcionam como verdadeiras redes sociais, onde crianças conversam, trocam fotos, compartilham dados e, muitas vezes, se expõem sem perceber.

O doutor em psicologia e especialista em Educação Digital do Instituto Alana – organização sem fins lucrativos que atua na defesa de direitos na infância –, Rodrigo Nejm, explica que o perigo não está apenas nas grandes redes já conhecidas, como Instagram, TikTok ou WhatsApp.

Ele aponta que há riscos também em plataformas usadas quase exclusivamente por crianças e adolescentes — muitas vezes fora do radar dos adultos.

“Até jogos aparentemente simples funcionam hoje como verdadeiras redes sociais, com trocas de mensagens por texto, voz e vídeo, além de comunidades fechadas e pouco mediadas. Nesses espaços, criminosos se infiltram fingindo ser jogadores”.

Rodrigo explica que lá eles oferecem “dicas”, vantagens e recompensas no jogo, até ganharem confiança. Depois, passam a pedir dados, fotos, telefone, endereço e até migram para outras plataformas.

É assim que muitos casos de aliciamento acontecem. “Quanto mais informação a criança já deu, mais fácil o trabalho do criminoso”.

Mas os riscos não param por aí. Conteúdos violentos, pornografia, manipulação de imagens com uso de inteligência artificial e humilhações públicas circulam com facilidade nesses ambientes.

O especialista destaca também os danos menos visíveis: sono prejudicado, aumento da ansiedade, dificuldade de lidar com frustrações e impactos na autoestima.

Parte do problema, segundo Rodrigo, é a falsa sensação de que se trata apenas de “jogos”.

“Jogos hoje funcionam como ambientes sociais completos. E as crianças têm pouca maturidade para lidar sozinhas com o que encontram ali. Por isso, a recomendação é clara: respeitar rigorosamente as classificações indicativas, configurar os aparelhos de acordo com a idade e nunca liberar o acesso antes do permitido”.

Ele lembra ainda que a responsabilidade é compartilhada e não pode recair somente sobre famílias ou escolas.

“As empresas de tecnologia lucram com mecanismos que estimulam o uso excessivo e dificultam a supervisão dos adultos”.

Atenção e regras para o uso do celular

A servidora pública Roberta de Resende Có, 47, e o publicitário Gustavo Gorinstein, 43, decidiram adiar ao máximo o uso de celular pelo filho Vitor, de 10 anos.

O aparelho só foi liberado recentemente, de forma pontual, por necessidade de comunicação durante uma viagem escolar.

Mesmo assim, o acesso segue com atenção redobrada dos pais: não há redes sociais e o tempo de uso é controlado.

Os pais também optaram por ferramenta de controle parental e buscam novas opções de restrição de conteúdos inadequados para a idade.

“O acordo que temos hoje é que podemos olhar o celular sempre que acharmos necessário”, conta Roberta.

Nos jogos, a orientação também é para que ele não converse com desconhecidos, nem compartilhe dados pessoais.

“Estamos sempre orientando sobre os riscos e cuidados ao acessar algumas plataformas”, disse Roberta.

Números 

Acesso a jogos 

43% das crianças entre 9 e 10 anos acessam jogos mais de uma vez ao dia

37% dos usuários entre 11 e 12 anos jogam mais vezes ao dia.

Consumo de vídeos

58% Mais de uma vez ao dia viram vídeos de Influenciadores digitais

44% Viram séries, filmes ou programas na internet

40% Viram vídeos ou tutoriais na internet que ensinam a fazer coisas que gostam

44 % Viram vídeos de pessoas jogando videogame pela internet


Mais Lidas

Ver tudo ›

    Bem-vindo(a) ao
    Tribuna Online!

    Seu bloqueador de anúncios está ativo.

    A publicidade ajuda a manter nosso jornalismo. Libere os anúncios para apoiar o Tribuna Online.

    Obrigado por apoiar o jornalismo local.