LUTA CONTRA QUEIMADURAS

“Falaram que eu teria de amputar o braço”, diz aposentado

José Antônio Martins, de 64 anos, ficou 60 dias em UTI após sofrer queimaduras de 3º grau

“Falaram que eu teria de amputar o braço”, diz aposentado
- Vítima de acidente com fio elétrico, José Antônio mostra as cicatrizes que ficaram após as cirurgias: “Foi Deus”

Última atualização

Uma queimadura de terceiro grau, cinco minutos desmaiado e 60 dias internado em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Foi o que passou o eletricista aposentado José Antônio Pereira Martins, de 64 anos.

Na semana de conscientização do Dia Nacional de Luta Contra Queimaduras, marcado para o dia 6 de junho, José Antônio lembra com emoção dos momentos de medo, dor e tensão que passou. 

“Falaram que eu teria que amputar o braço por conta da gravidade da queimadura, mas Deus apareceu naquele hospital e me salvou”, conta, emocionado. Foram três cirurgias durante os dois meses no hospital. E hoje, aquele novembro de 2019 ainda está na memória do aposentado.

 













|













Texto Auxiliar:
Alinhamento Texto Auxiliar:
Link Externo:
Alinhar à esquerda: true
Alinhar à direita: false
Alinhar ao centro: false
Fullscreen:
Fullscreen Exit:
Estilo:


 – A Tribuna – Como aconteceu o acidente?

José Antônio Pereira Martins – Eu era eletricista e estava trabalhando em uma instalação elétrica na rua, em Barramares, Vila Velha. Estava em um poste, a 11 metros de altura, quando tive uma cãibra no braço. Meu braço, involuntariamente, pesou e caiu sobre o fio, encostando um no outro. Deu um curto e me queimei nos dois braços.

– O que você lembra deste momento?

Na hora, eu nem senti dor, ou pelo menos não lembro, porque apaguei na hora. Só não caí lá de cima porque estava com os equipamentos de segurança. Fiquei cinco minutos apagado. Quando acordei, já estava sendo colocado na caminhonete e levado ao hospital. Foi só então que comecei a sentir dor nos  braços.

– Como estava a situação dos seus braços?

Muito grave, queimadura de terceiro grau. Um cirurgião que me atendeu queria amputar o braço que estava mais grave. Na hora, eu só pedia a Deus para me curar e salvar. Acredito muito em Deus. Outros dois médicos avaliaram e falaram que não era preciso amputar. Deus estava com aqueles médicos. Me emociono até hoje de lembrar. Foi Deus.

– Como foi o período no hospital?

Foram 60 dias e três cirurgias nesse tempo. A equipe foi muito boa, então, apesar das dores, fui bem atendido.

– Você  ficou com sequelas físicas?

No braço que ficou mais grave, eu só tenho 90% dos movimentos, mas ainda assim é melhor do que ter amputado. Não voltei a trabalhar porque quando o acidente aconteceu, eu já estava aposentado há dois dias, mas nem sabia. Se soubesse, nem tinha ido trabalhar. Mas hoje sempre falo para que todos tomem cuidado. Queimadura é algo muito grave.  

Maioria dos acidentes acontece dentro de casa


O Brasil registra, a cada ano, uma média de 1 milhão de pessoas que sofre algum tipo de queimadura, segundo a Sociedade Brasileira de Queimaduras. E a maioria dos acidentes  (70%) acontece dentro de casa.

“São números impressionantes. E a maioria é evitável, pois acontece no ambiente doméstico”, ressaltou o cirurgião Ariosto Santos, presidente da Sociedade Brasileira de Queimaduras Regional Espírito Santo (SBQ/ES).

Ariosto afirma que grande parte dos acidentes domésticos ocorre por causa de  líquidos superaquecidos, como água, feijão e leite. Também chama a atenção a quantidade de queimaduras por líquidos combustíveis, como álcool e gasolina.

“Cerca de 200 mil queimaduras por ano são por álcool. O Brasil usa muito álcool 70% para limpeza, mas é um risco, tanto que em diversos países é proibido. No Brasil, foi liberado durante a pandemia, mas agora voltou a ser proibida a comercialização geral. Na  pandemia, o número de casos cresceu 20% por  isso”, afirmou o presidente.

Também cresceram os casos de queimadura de pessoas que tentaram usar  álcool para cozinhar por conta do alto preço do gás.  “O alerta, agora, é para as  festas juninas, pois é época com muita incidência de queimaduras por conta de fogueiras, fogos e bombinhas”.

SAIBA MAIS


Principais causas de queimaduras

– Líquido superaquecido: água, café, leite, feijão, etc.

– Líquidos combustíveis: álcool, querosene, gasolina, diesel, etc.

– Acidente por fogo direto: fogão, fogueira, etc.

– Choque elétrico.

O que fazer em caso de queimadura

– Lavar com água corrente, colocar um pano limpo e buscar atendimento médico.

– O que nunca deve ser feito em caso de queimadura

– Não tocar a ferida com a mão.

– Nunca furar a bolha.

– Nunca colocar alimentos ou produtos como manteiga, pasta de dente, ovo, maionese, pó de café, óleo, etc. Produtos como esses costumam ser indicados de forma errada e podem agravar a situação.

– Não tentar retirar pedaços de tecidos que possam ter ficado grudados na pele com queimadura.

Cuidados para evitar queimadura

– Evitar e/ou ter cuidado com a manipulação de álcool, querosene, gasolina e nunca colocar em locais desprotegidos.

– Evitar vela perto de produtos inflamáveis, como papéis e solventes.

– Deixar crianças longe de cozinha, fósforo e tomadas elétricas.

– Cuidado ao superaquecer água e outros líquidos.

Fonte: Sociedade Brasileira de Queimaduras Regional Espírito Santo (SBQ/ES)

Mais Lidas

Ver tudo ›