- Em 21 de abril, dirigentes do PT realizaram videoconferência para definir a estratégia diante da crise política, com a opinião de Lula incluída por um aliado em Curitiba.
- Lula afirmou que o discurso “Fora, Bolsonaro” seria equivalente a apoiar Hamilton Mourão e ressaltou a necessidade de apresentar projetos alternativos e apoiar movimentos de rua.
- O partido agendou reunião da executiva para 28 de abril, onde deverá oficializar o novo direcionamento, incluindo a possível proposta de reforma tributária.
- Segundo petistas, a forte polarização entre governo e apoiadores de Jair Bolsonaro impede que a oposição tenha papel decisivo em eventual derrubada do presidente.
A escalada da crise política fez com que dirigentes e líderes do PT promovessem, na terça-feira (21), uma videoconferência para debater o rumo que vai adotar na crise. A data foi escolhida para contemplar a opinião de Lula, ouvido por um aliado em Curitiba. O petista disse não ver sentido na defesa de um “Fora, Bolsonaro”, pois seria o mesmo que chamar pela ascensão de Hamilton Mourão. A tese do parlamentarismo também não tem guarida na sigla. A saída, hoje, seria fazer “oposição propositiva”.
Pés no chão – Na avaliação do ex-presidente, para fazer um contraponto ao governo é preciso apresentar projetos alternativos e dar força a movimentos que questionam nas ruas as decisões da atual gestão. Após a conversa informal, o PT chamou reunião de sua executiva, na próxima terça (28), que deve sacramentar o direcionamento da sigla.
Nós contra eles – A orientação de Lula foi no sentido de que a sigla abrace o que propôs no programa de governo de Fernando Haddad para se contrapor ao governo no campo das ideias e apresentar “alternativas”. O partido estuda, por exemplo, apresentar uma proposta de reforma tributária.
Quem pariu Mateus – A bateção de cabeça entre integrantes do governo e integrantes do partido de Jair Bolsonaro é tão grande, avaliam petistas, que a oposição não terá papel decisivo em uma eventual derrocada do presidente. O PSL e o mercado, dizem, é que estão na linha do desgaste.
Na coxia – Aliados de Bolsonaro vão usar os atos de domingo (26) para medir forças com a esquerda. Por isso, integrantes da ala que simpatiza com Olavo de Carvalho pregam que o governo e parlamentares se distanciem das manifestações para dar a elas caráter de mobilização exclusivamente popular.
Vai encarar? – Os protestos, avaliam olavistas, trarão nova variável “para a equação da governabilidade”. Se forem um sucesso, afirma um integrante desse grupo, passarão a impressão de que o Congresso age contra a sociedade.
Jogo bruto – Nessa quarta (22), deputados receberam mensagens a favor da votação nominal da medida Provisória (MP) que redesenhou a Esplanada. O texto dizia que, aos contrários, restaria “a lata de lixo da história”.
Tic tac – O chamado Plano Mansueto, aguardado com ansiedade por estados em crise fiscal, está pronto, à espera do anúncio oficial, há cerca de três semanas. A equipe econômica começou a consultar dirigentes de partidos sobre a melhor forma de empacotar a proposta.
A alma do negócio – O governo foi aconselhado a não dar um jeito de contemplar estados que estão com as finanças em dia no projeto – e a não acenar com recursos só aos que estão quebrados, para não dar a sensação de que prejudicou aqueles que fizeram o dever de casa.
Estraga prazeres – O ministro Onyx Lorenzoni (Casa Civil) cometeu uma gafe nessa quarta, ao incluir na agenda oficial sua participação em uma “festa surpresa”. Quase acabou com o evento organizado por servidores para Floriano Peixoto (Secretaria-Geral).
Cri cri cri – A reunião de Bolsonaro com a bancada do Nordeste teve momentos constrangedores. Como a metade dos parlamentares não compareceu, Onyx chegou a chamar para discursar deputados que não estavam presentes.
Todas as frentes – Na primeira reunião do diretório do PSDB paulista com o novo presidente, o deputado estadual Marco Vinholi, o partido decidiu baixar resolução que obriga os escritórios da sigla em todos os 645 municípios do estado a lançar candidatos a prefeito no ano que vem.
Todas as frentes 2 – O texto deve ser publicado nesta quinta (23). A intenção é ampliar o número de eleitos, hoje em 176.
Visita à Folha – O empresário Jorge Paulo Lemann, sócio da 3G Capital, visitou a Folha nessa quarta-feira, onde foi recebido em almoço, a convite do jornal.
Tiroteio
“Foi um passo. Mas é preciso rever a posição. Mais armas e mais munição é mais risco para o povo e para os policiais.”
Do governador Wellington Dias (PT-PI), sobre Bolsonaro ter recuado na permissão para a venda de fuzis, mas mantido a ampliação do porte.