O governador Paulo Hartung disse que não vai colocar o “dedão” e indicar um nome à sucessão, mas entre os seis nomes que já citou de lideranças que poderiam disputar o Palácio Anchieta, três saem na frente: o senador Ricardo Ferraço, o deputado federal Sergio Vidigal e o estadual Amaro Neto.
Os três teriam força para construir a candidatura sem rachar a base aliada. Eis as razões apontadas por aliados: Vidigal tem baixa rejeição, credibilidade como gestor, forte inserção no eleitorado do maior município do Estado que pode, inclusive, se organizar no polo adversário. A leitura sobre Vidigal é a de que ele pode ter uma largada ruim, mas teria uma boa chegada.
Amaro contaria com o apoio dos colegas deputados – e seus redutos – e sairia com uma boa largada, dada a visibilidade alcalçada na TV e por ser o “novo”. Os mesmos trunfos, porém, podem ser explorados negativamente, somando à falta de experiência como gestor, o que poderia incorrer numa melhor largada, mas pior chegada.
O fator Ricardo
O senador Ricardo Ferraço (PSDB), cotado para ser sucessor de Hartung, já foi testado ao Senado e tem um mandato bem avaliado.
Poderia contar com o apoio de outros senadores e até conversar com Casagrande. Mas tem dificuldades de interlocução com parte da sociedade, principalmente de camadas mais populares, e de eleitores de esquerda.
De olho num ministério?
A depender do governo federal que será eleito, o governador Paulo Hartung, que anunciou ontem que não mais disputará cargo eletivo nenhum, disse que toparia assumir um ministério. Disse que ainda não tem candidato à Presidência, mas tem participado, junto com o ex-presidente FHC, de um movimento para construir uma candidatura de centro única.
“Um beijo na careca do Lelo”
Questionado se havia comunicado ao presidente do seu partido, MDB, sua decisão de não se candidatar à reeleição, o governador Paulo Hartung respondeu: “Um beijo na careca do Lelo (Coimbra)”. Os poucos cabelos do deputado federal já lhe renderam até concurso da “careca mais brilhante”.
“Vou continuar no governo”
Além do governador Paulo Hartung, outro que decidiu continuar no governo e não disputar é o chefe de gabinete, Paulo Roberto Ferreira (MDB). Por não ser ordenador de despesa e não precisar se desincompatibilizar, Paulo Roberto chegou a ser cotado para disputar vaga à Assembleia ou à Câmara Federal. “Decidi junto com minha família e não vou disputar. Vou continuar no governo”, afirmou.
Quem assume se o governador se licenciar?
O governador Paulo Hartung disse que nos próximos dias volta a realizar um procedimento médico que faz parte do tratamento contra o câncer que teve na bexiga, em São Paulo. Porém, não disse se vai se licenciar. Questionados, tanto o vice-governador César Colnago, quanto o presidente da Assembleia, Erick Musso, disseram que não vão assumir o governo, para não ficarem inelegíveis. E, até ontem, não havia chegado nenhum comunicado ao Tribunal de Justiça. Hartung deve se internar no dia 20 e voltar ao Estado dia 23.
Por aí, não!
Embora cogitada nos bastidores, cúpula do governo não vê futuro numa suposta composição de Ricardo Ferraço e Amaro Neto numa chapa.
Livro de cabeceira
O livro que o governador está escrevendo sobre seu 3º mandato deve ser lançado ainda neste ano e já tem um título provisório: “Espírito Santo – Como o governo capixaba enfrentou a crise, reconquistou o equilíbrio fiscal e inovou em políticas sociais”.
Livro de cabeceira II
O governador Paulo Hartung convidou o ex-presidente FHC para vir lançar seu livro “Crise e Reinvenção da Política no Brasil” no Estado.
Quatro é demais?
“Mais do que três mandatos é exagero”. Do governador Paulo Hartung, em coletiva de imprensa, ao justificar o motivo de não ir para a reeleição.
(coluna publicada em 11/07/2018)
