Nos últimos dias, com o início da vacinação no País, um tema tem estado em alta: a relação da vacina com a bebida alcoólica. Afinal, o álcool pode atrapalhar a eficácia das doses contra o coronavírus? O que é verdade e o que é mito nessa relação?
À reportagem, especialistas explicam qual o real efeito do álcool com os imunizantes. Eles afirmam que o consumo moderado de bebida não interfere na resposta gerada pela vacina. Mas recomendam que o imunizado fique, pelo menos, dois dias sem ingerir bebida alcoólica.
“Não existe estudo que comprove a interferência de bebida alcoólica na vacina. Entretanto, nós temos uma vacina nova sendo utilizada. Suponhamos que a pessoa tome uma bebida alcoólica em uma quantidade exagerada. Se ela passar mal, não vai saber se é efeito do álcool ou da vacina”, explicou a infectologista Ana Paula Burian.
“Não é ficar 40 dias sem beber. Isso não existe. Mas, no mesmo dia que a pessoa toma a vacina, o ideal é que ela não faça exageros, como esforço físico. Tudo que é exagero, nos dois ou três dias após, como depois de tomar um medicamento novo, vacina nova ou qualquer vacina, não é recomendado que se faça”, destacou a infectologista.
O clínico geral e colunista de A Tribuna João Evangelista Teixeira também ressaltou que as pessoas não devem “comemorar” a vacinação tomando bebida alcoólica. “Isso está errado. O álcool ‘achata’ o sistema imunológico”.
Segundo o doutor em Imunologia Daniel Gomes, em quantidade exagerada ou em uso contínuo, o álcool debilita o indivíduo imunologicamente. Ele explica que a bebida pode ter um efeito imunossupressor, ou seja, pode reduzir a capacidade de defesa do organismo.
“O álcool afeta uma série de funções no corpo. Para evitar qualquer tipo de problema na eficácia, é melhor que não se tome a bebida durante um tratamento medicamentoso ou depois da vacinação”.
“Pessoas que fazem uso de bebida alcoólica cronicamente são mais sensíveis a infecções, como virais e bacterianas”, completou.
Os especialistas alertam que a recomendação é para qualquer vacina, não só contra a Covid. “Na literatura científica, existem argumentos robustos mostrando que o uso excessivo ou crônico de álcool atrapalha a capacidade imunológica do indivíduo”, reforçou Daniel.
Em seu site, a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), destaca que, apesar de o consumo moderado não interferir na vacina, independentemente da situação, as pessoas não devem consumir álcool em quantidade exagerada.
