A BYD quer dobrar sua capacidade de produção no Brasil e avançar sobre montadoras tradicionais como Volkswagen e Chevrolet. A fabricante chinesa iniciou os pedidos de licenças para ampliar de 300 mil para 600 mil veículos por ano a capacidade de sua fábrica em Camaçari, na Bahia.
A meta da empresa é se tornar a maior montadora do País em volume de vendas até 2030. Hoje, segundo dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), a Volkswagen produz 538.657 automóveis e comerciais leves, enquanto a General Motors, dona da Chevrolet, soma 323.070. A líder Fiat chega a 723.365 unidades.
A BYD afirma que a procura por seus veículos já supera a capacidade atual. A empresa pretende alcançar produção de 25 mil carros por mês até o fim de 2026, mas calcula que a demanda esteja em torno de 30 mil unidades mensais.
Segundo o vice-presidente sênior da BYD no Brasil, Alexandre Baldy, essa diferença faz com que a montadora deixe de faturar entre 5 mil e 6 mil vendas adicionais por mês.
O investimento no complexo de Camaçari já ultrapassa R$ 5,5 bilhões. A unidade foi inaugurada em outubro de 2025, em uma área que pertenceu à Ford, e emprega atualmente cerca de 9 mil pessoas. A previsão é chegar a aproximadamente 10 mil trabalhadores até o fim deste ano.
A montadora também está concluindo obras e testes dos setores de estamparia, soldagem e pintura. A expectativa é iniciar 2027 com mais de 50% dos componentes de seus veículos produzidos no Brasil.
Com maior índice de nacionalização, a empresa pretende reduzir a dependência de peças importadas, aumentar a produção e começar a atender pedidos de outros países.
A BYD já recebeu encomendas de 50 mil veículos do México e outras 50 mil unidades da Argentina, que poderão começar a ser atendidas no próximo ano.
No mercado brasileiro, a empresa também vem avançando. Em setembro, foram 22.209 veículos emplacados, o equivalente a 8,5% das vendas do País. A unidade brasileira deve atingir ainda nesta semana a marca de 200 mil carros faturados no acumulado de 2026.
A expansão da fábrica é considerada peça central da estratégia para disputar as primeiras posições do mercado brasileiro nos próximos anos.
Nacionalização e exportações dos veículos feitos no Brasil

A ampliação da fábrica da BYD em Camaçari (BA) também deve acelerar a nacionalização dos veículos e abrir caminho para as exportações produzidas no Brasil.
A montadora pretende começar 2027 com mais de 50% dos componentes fabricados no País. Para isso, está concluindo as obras e os testes dos setores de estamparia, soldagem e pintura, etapas importantes para que a unidade deixe de depender tanto de peças importadas.
Segundo o vice-presidente sênior da BYD no Brasil, Alexandre Baldy, alcançar esse nível permitirá à empresa cumprir as exigências regulatórias para ser considerada uma fabricante local e ampliar a operação para outros mercados.
A companhia já recebeu pedidos de 50 mil veículos do México e de outras 50 mil unidades da Argentina. A expectativa é começar a atender essas encomendas no próximo ano.
A maior utilização de componentes nacionais também responde às críticas de setores da indústria brasileira, que vinham apontando a forte dependência da BYD de peças importadas e de tarifas temporariamente reduzidas.
Com a nova estrutura, a empresa pretende transformar a unidade baiana em uma base de produção não apenas para o mercado brasileiro, mas também para outros países da América Latina.