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“A Última Sessão de Freud” chega a Vitória no Teatro da Ufes

Peça de sucesso nacional está em cartaz há 4 anos e já foi assistida por mais de 180 mil pessoas

“A Última Sessão de Freud” chega a Vitória no Teatro da Ufes
- Odilon Wagner e Marcello Airoldi estrelam espetáculo
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Redação Tribuna Online

Última atualização

A peça A Última Sessão de Freud, um dos maiores sucessos do teatro brasileiro, ganha nova temporada em Vitória nos dias 30 e 31 de outubro e 1º de novembro de 2026. As apresentações acontecem no Teatro Universitário da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), sexta e sábado às 20h e domingo às 17h.

Em cartaz há 4 anos, o espetáculo já foi assistido por mais de 180 mil pessoas e acumula três turnês nacionais seguidas, sempre com casas lotadas. Dirigido por Elias Andreato, o texto é de autoria do premiado dramaturgo estadunidense Mark St. Germain.

A montagem já soma mais de 420 apresentações e estrela Odilon Wagner, como Freud, indicado aos prêmios Shell, APCA e Bibi Ferreira pelo trabalho, ao lado de Marcello Airoldi, que interpreta C.S. Lewis. A peça narra um encontro fictício entre o pai da Psicanálise e o escritor.

Sobre o enredo

A trama apresenta um encontro fictício entre Sigmund Freud (Odilon Wagner), o pai da psicanálise, e o escritor, poeta e crítico literário C.S. Lewis (Marcello Airoldi), dois intelectuais que influenciaram o pensamento científico e filosófico da sociedade do século 20.

Durante o diálogo, Freud, crítico implacável da crença religiosa, e Lewis, renomado professor de Oxford, ex-ateu e defensor da fé baseada na razão, debatem de forma apaixonada o dilema entre ateísmo e crença em Deus. O texto de Mark St. Germain é baseado no livro Deus em Questão, escrito pelo Dr. Armand M. Nicholi Jr., professor clínico de psiquiatria da Harvard Medical School.

Freud quer entender por que um ex-ateu, um brilhante intelectual como C.S. Lewis, pode, segundo suas palavras, “abandonar a verdade por uma mentira insidiosa”, tornando-se um cristão convicto. No gabinete de Freud, na Inglaterra, eles conversam sobre a existência de Deus, mas o embate verbal se expande por assuntos como o sentido da vida, natureza humana, sexo, morte e as relações humanas.

“Essa peça é um elogio ao diálogo, tão necessário em nossos tempos. Saio do teatro todos os dias mais convicto que podemos e devemos conviver pacificamente com aqueles que pensam diferente de nós”.

A encenação

O cenário, assinado por Fábio Namatame (indicado ao Prêmio Shell de melhor cenário), reproduz o consultório onde Freud desenvolvia sua psicanálise e seus estudos. Ele estava exilado na Inglaterra depois de fugir da perseguição nazista na Áustria, em plena Segunda Guerra Mundial, no ano de 1939.

Em entrevista sobre o espetáculo, o autor Mark St. Germain comenta a escolha do contexto histórico:

“A peça mostra um embate de ideias. Isso é uma armadilha, e eu não queria que o espetáculo se transformasse em um debate. Por isso, pelo bem da ação dramática, situei o encontro entre Freud e Lewis no dia em que a Inglaterra ingressou na Segunda Guerra Mundial. Então, são dois homens no limite, sabendo que Hitler poderia bombardear Londres a qualquer minuto”.

O diretor Elias Andreato optou por uma encenação que valoriza a palavra, construindo as cenas de modo que o texto seja o protagonista.

“A idéia do autor Mark St. Germain de provocar esse encontro entre Freud e Lewis cria um jogo teatral de ideias, crenças e visões de mundo profundamente distintas. O diálogo entre os dois personagens é, por vezes, irônico, por vezes violento, mas surpreendentemente sociável, e é justamente aí que reside sua força: Na prova de que é possível conviver com as diferenças de forma inteligente, crítica e sobretudo, humana. Odilon Wagner constrói um Freud de extrema humanidade, numa composição precisa, milimétrica, que torna seu trabalho inesquecível. Marcello Airoldi demonstra que o humor e a leveza podem existir mesmo quando as ideias se chocam e percorrem territórios perigosos, densos e provocadores. O espetáculo dialoga com o público de maneira sensível e direta. Seu sucesso nasce da atualidade do tema e da urgência em discutir questões profundas e delicadas que atravessam o nosso cotidiano, especialmente em um Brasil cada vez mais dividido. O teatro mostra, mais uma vez, ser o veículo ideal para falar da violência com poesia, reflexão e escuta, abrindo caminhos para a transformação”.

Para Odilon Wagner, interpretar Freud tem significado especial em seus 56 anos de profissão.

“Tem sido uma das experiências mais fascinantes de minha carreira, é um privilégio poder representar uma personagem tão potente como Freud, um dos grandes pensadores do século XX. Nesses últimos quatro anos em que estivemos em cartaz, já rodamos o país três vezes e repetiremos a turnê em 2026. A reação do público, sempre tão entusiasmada, e os encontros e debates que tivemos nos teatros e nas universidades me enriqueceram muito e trouxeram a confirmação da atualidade do pensamento Freudiano em nosso século. O espetáculo estimula a nossa reflexão sobre a necessidade de praticarmos uma cultura de paz, nos provoca a exercer nossa humanidade com mais fervor e atenção, para que não se repita a história deletéria da segunda guerra mundial, vivenciada por Freud.”

Marcello Airoldi também comenta o processo de construção do espetáculo.

“Teatro nunca é feito de facilidades e não há fórmulas para o sucesso de um projeto, mas quando este acontece, saltam aos olhos detalhes que evidenciam a existência de cuidados especiais, seja na produção, direção ou qualquer outro aspecto técnico do espetáculo. Num mundo dominado por algoritmos da superficialidade, é maravilhoso encontrar plateias sedentas pelo bom debate, humor de qualidade, poesia e pela história de bons personagens como estes, que a dramaturgia juntou na mesma página.”

Serviço

A Última Sessão de Freud, de Mark St. Germain

  • Temporada: 30 e 31/10 e 01/11 de 2026, sexta e sábado às 20h e domingos às 17h;
  • Local: Teatro Universitário da Ufes — Av. Fernando Ferrari, 514, Goiabeiras, Vitória – ES, 29075-910;
  • Ingressos: entre R$ 25,00 e R$ 180,00;
  • Vendas online: freud.art.br e Sympla;
  • Capacidade: 615 lugares;
  • Classificação: 14 anos;
  • Duração: 90 minutos;
  • Acessibilidade: teatro acessível a cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida.

Ficha técnica

  • Texto: Mark St. Germain;
  • Tradução: Clarisse Abujamra;
  • Direção: Elias Andreato;
  • Assistente de Direção: Raphael Gama;
  • Idealização: Ronaldo Diaféria;
  • Elenco: Odilon Wagner e Marcello Airoldi;
  • Cenário e figurino: Fábio Namatame;
  • Assistente de cenografia: Fernando Passetti;
  • Desenho de Luz: Gabriel Paiva e André Prado;
  • Designer de som: André Omote;
  • Operação de luz: Nádia Hinz;
  • Operação de som: Gabriel Fernandes;
  • Trilha Sonora: Raphael Gama;
  • Arte Gráfica: Rodolfo Juliani;
  • Fotografia: João Caldas;
  • Produtor Executivo: Adolfo Barreto;
  • Cenotécnica/Contra-regragem: Vinicius Henrique, Kauã Nascimento;
  • Produtores Associados: Ronaldo Diaféria e Odilon Wagner.



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